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Bolsonaro nega contato com EUA para sanções contra Moraes em depoimento à PF

Ex-presidente afirmou que ações do deputado Eduardo Bolsonaro são independentes e confirmou envio de R$ 2 milhões para custear estadia do filho nos EUA

Ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Federal - Fotos: Antônio Augusto/STF

O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (5) e negou ter feito qualquer contato com autoridades dos Estados Unidos para promover sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O depoimento ocorreu no âmbito de um inquérito que investiga supostas tentativas do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, de pressionar o governo norte-americano a adotar medidas contra Moraes.

O ministro do STF, que também é relator de investigações sobre suposto golpismo e fake news, determinou o depoimento de Bolsonaro por entender que ele poderia ser "diretamente beneficiado" pelas ações do filho. Eduardo Bolsonaro está licenciado do mandato desde março e atualmente reside nos EUA. Durante o depoimento, o ex-presidente afirmou que não participa dos atos do filho e que as ações dele são independentes.

Bolsonaro confirmou ter enviado R$ 2 milhões para custear as despesas de Eduardo nos Estados Unidos. Segundo ele, o dinheiro veio de doações recebidas via Pix em 2023, quando arrecadou R$ 17 milhões de apoiadores. O ex-presidente também declarou aos delegados que os EUA "não aplicariam sanções por lobby de terceiros".

O deputado federal classificou a investigação como "injusta e desesperada", afirmando que o caso reflete um "regime de exceção" no Judiciário brasileiro. A PF segue apurando as denúncias, enquanto o ex-presidente e seu filho mantêm suas versões sobre a independência de suas ações.