» Política

Ligada a Arthur Lira é alvo da PF por suspeita de desvio de emendas parlamentares

Ex-assessora conhecida como “Tuca” operava liberação de verbas e aparece no centro das suspeitas que motivaram mandados de busca em investigação do STF

Mariângela Fialek - Fotos: Reprodução

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (12/12), uma operação que mira suspeitas de desvio de recursos oriundos de emendas parlamentares e colocou no centro da investigação a ex-assessora parlamentar da Presidência da Câmara, Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”. Ela foi alvo de mandados de busca em Brasília autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Fialek atuou como chefe da assessoria parlamentar da Presidência da Câmara durante toda a gestão de Arthur Lira (PP-AL), entre 2021 e o início de 2024. Após a troca de comando na Casa, foi exonerada pelo atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas permaneceu na estrutura legislativa, agora no gabinete da liderança do PP, com salário de R$ 23.732,92.

Segundo a decisão do STF, Tuca operava diretamente a distribuição e a liberação de emendas, supostamente sob orientação de Lira. O deputado, no entanto, não é investigado no caso. Para a PF, depoimentos prestados no processo reforçam o papel central da assessora no esquema.

Um deles, do deputado José Rocha (União-BA), detalha que, ao assumir uma comissão, recebeu da presidência da Câmara — por meio de Tuca — uma minuta de ofício acompanhada de planilhas com indicações de recursos de R$ 1,125 bilhão sem identificação de autores ou beneficiários. O material foi citado como evidência da atuação da ex-assessora na manipulação de emendas.

A PF também aponta que Fialek era figura essencial no chamado orçamento secreto, mecanismo de distribuição de verbas sem identificação de parlamentares, declarado inconstitucional pelo STF em 2022. Durante o período, Arthur Lira era apontado como um dos principais controladores desses recursos, que tinham forte ligação com a Codevasf, estatal cujo conselho fiscal também contava com a presença de Tuca.

Além da Codevasf, a ex-assessora ocupou cadeira no Conselho Fiscal da Caixa Econômica Federal, instituição onde o comando também foi indicado por Lira. Sua trajetória inclui ainda passagem pelo governo Michel Temer, quando atuou na articulação política com o Congresso como subchefe de Assuntos Parlamentares.

A Operação Transparência tem como objetivo apurar supostas irregularidades na destinação de recursos públicos via emendas. Até o momento, dois mandados de busca e apreensão foram executados. Procurados, Arthur Lira e Mariângela Fialek não se pronunciaram sobre o caso.