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Sesau admite que gastou mais de R$ 10,4 milhões com serviço aeromédico em Alagoas

Secretaria afirma que contrato garante economia e atendimento rápido em situações de emergência

Helicóptero aeromédico da Blue Air - Fotos: Reprodução/http://blueairtaxiaereo.com.br

A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas confirmou investimento de mais de R$ 10 milhões em contrato de serviço aeromédico e apresentou esclarecimentos após questionamentos sobre os valores. A manifestação ocorre depois de levantamento apontar que o montante supera repasses destinados ao município de União dos Palmares. Os dados têm como base informações do Portal da Transparência. A comparação envolve recursos direcionados ao Hospital da Mata.

Segundo a Sesau, o contrato refere-se à operação de aeronave configurada como UTI aérea, utilizada exclusivamente em situações de emergência. O serviço é executado pelo Departamento Estadual de Aviação e conta com equipe médica especializada. A estrutura inclui equipamentos de suporte avançado e funcionamento contínuo. A secretaria destaca que a atuação é considerada estratégica para a saúde pública.

De acordo com a nota, em um ano, o serviço realizou 529 missões em 102 municípios, com impacto direto em 585 atendimentos considerados críticos. A aeronave tem tempo máximo de deslocamento de 45 minutos, o que permite respostas rápidas em casos graves. Entre as ocorrências atendidas estão acidentes, afogamentos e transferências de pacientes em estado crítico. Também foram realizados transportes de órgãos para transplantes.

Do ponto de vista financeiro, a secretaria afirma que o investimento de R$ 10,4 milhões representa economia em relação ao mercado privado. Segundo o órgão, cada voo particular de UTI aérea pode custar cerca de R$ 200 mil. Nesse cenário, o volume de operações realizadas pelo Estado ultrapassaria R$ 100 milhões. A Sesau sustenta que o modelo adotado gera redução de aproximadamente 90% nos custos.

Em relação aos questionamentos, a secretaria informou que “os recursos utilizados são previstos e executados dentro da programação orçamentária da Secretaria, podendo sofrer ajustes ao longo do exercício em razão das variações naturais da demanda por serviços de saúde”. O Governo de Alagoas também declarou que mantém compromisso com a transparência e a assistência à população. A nota ainda reforça que o serviço prioriza atendimentos de alta complexidade em todo o estado.

Confira a nota na íntegra:

"Nota de Esclarecimento

Assunto: Contrato de aeronave para o serviço aeromédico

A respeito de informações divulgadas nesse portal sobre os valores investidos em contrato de locação de aeronave, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) esclarece que se trata do Falcon 05, aeronave configurada como UTI aérea, destinada exclusivamente ao atendimento de emergências em todo o estado.

O serviço aeromédico – estratégico e vital para a saúde pública – é operado pelo Departamento Estadual de Aviação (DEA), com equipe médica, equipamentos de suporte avançado e disponibilidade contínua, e já contribuiu para o salvamento de centenas de vidas em situação de urgência e emergência.

Em apenas um ano, o serviço realizou 529 missões em 102 municípios, salvando diretamente 585 vidas em casos em que o tempo de resposta é fator determinante entre a vida e a morte. Com um tempo máximo de deslocamento de 45 minutos, a aeronave garante socorro imediato em acidentes graves, afogamentos e transferências críticas de recém-nascidos e pacientes com AVC, cuja janela terapêutica exige agilidade impossível de ser alcançada por via terrestre.

O serviço também foi essencial para a viabilização de 10 transportes de órgãos para transplante em 2025, garantindo que tecidos com curto tempo de viabilidade chegassem aos receptores a tempo. Operando de forma integrada com a Segurança Pública e a Defesa Civil desde 2010, o modelo aeromédico de Alagoas é referência no Nordeste e possui todas as homologações da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), assegurando um padrão de excelência técnica e segurança em cada operação realizada.

Do ponto de vista financeiro, o investimento de R$ 10,4 milhões representa uma gestão eficiente e econômica dos recursos públicos. Enquanto uma locação privada de UTI aérea custa, em média, R$ 200 mil por voo, o volume de mais de 500 missões realizadas pelo Estado totalizaria um gasto superior a R$ 100 milhões no mercado particular. Portanto, o contrato vigente não apenas amplia a rede de assistência, como também gera uma economia de cerca de 90% em comparação à contratação avulsa de voos para atender à demanda da população.

O Governo de Alagoas lamenta não ter sido procurado pelo portal para os devidos esclarecimentos antes da publicação da matéria, como manda o bom jornalismo, e afirma que mantém compromisso com a transparência e, sobretudo, com a preservação da vida, priorizando investimentos que garantam assistência médica de alta complexidade em cada canto do estado, com a rapidez que a gravidade dos pacientes exige."