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Brasil e EUA retomam negociação para reduzir tarifaço

Reunião virtual ocorre nesta segunda-feira (31), às 14h30, e busca ampliar a lista de produtos livres das tarifas adicionais

negociação entre Brasil e Estados Unidos sobre tarifas - Fotos: Marcello Casal JrAgência Brasil

BRASIL — Representantes do Brasil e dos Estados Unidos retomam nesta segunda-feira (31) as negociações sobre as tarifas adicionais aplicadas aos produtos brasileiros. A reunião virtual está marcada para as 14h30, no horário de Maceió.

O encontro será conduzido pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. As conversas foram reabertas após um contato entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

O que o Brasil pretende negociar?

A prioridade brasileira é ampliar a lista de produtos isentos das sobretaxas. Em uma etapa posterior, o governo pretende discutir a redução ou a retirada das medidas comerciais, mas não existe garantia de acordo ou diminuição imediata das tarifas.

Os Estados Unidos impuseram duas cobranças em julho. A primeira acrescentou 25% a determinados produtos brasileiros após uma investigação sobre comércio digital, Pix, propriedade intelectual, etanol, tarifas preferenciais, combate à corrupção e desmatamento.

A segunda sobretaxa, de 12,5%, integra uma medida aplicada a dezenas de economias sob a justificativa de falhas no combate à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Quando as duas cobranças atingem o mesmo produto, a tarifa adicional chega a 37,5%.

Quais produtos são afetados?

Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que 23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão sujeitas às duas novas medidas. Cerca de US$ 6,6 bilhões em mercadorias, com base no comércio de 2024, enfrentam a cobrança acumulada de 37,5%.

Máquinas, equipamentos, calçados, móveis, confecções, gorduras, óleos e diferentes tipos de madeira estão entre os produtos atingidos pela alíquota acumulada. Já o açúcar aparece entre os itens sujeitos somente à sobretaxa de 25%.

A negociação possui interesse direto para Alagoas, onde o setor sucroenergético tem peso relevante na economia e nas exportações. Uma ampliação das exceções pode melhorar as condições de acesso do açúcar produzido no estado ao mercado norte-americano.

Café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, ferro fundido e a maior parte da celulose permanecem fora das duas novas sobretaxas, segundo o governo brasileiro. Ao todo, 52,7% das exportações seguem sem essas cobranças adicionais, embora possam estar submetidas às tarifas ordinárias dos Estados Unidos.

As vendas brasileiras ao mercado norte-americano somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025. O detalhamento das medidas está disponível no levantamento oficial do Ministério do Desenvolvimento.