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Conheça William Costa, atleta cego alagoano destaque na natação paralímpica

Natural de Japaratinga, William é considerado o melhor do Nordeste na categoria S12 Visual (com baixa visão)

William Costa e treinador Pablo Lucini (esq. para a dir.) na Vila Olímpica Gigantão, em Maceió. - Fotos: Shelton Melo

Para conseguir treinar e nadar em Maceió, onde encontrava estrutura gratuita, o alagoano William Costa Neves precisava acordar de madrugada e contar com caronas em ambulâncias ou veículos da Prefeitura de Japaratinga até a capital. A distância entre os dois municípios é de cerca de 120 quilômetros, em um percurso que pode levar mais de duas horas.

Os treinos começavam às 5h30, na piscina do Sesi, em Maceió. Muitas vezes, William sequer conseguia voltar para casa, porque dependia novamente da disponibilidade de transporte. Foi nessas idas e vindas, enfrentando dificuldades financeiras e, vezes até sem ter o que comer, que ele conheceu o treinador uruguaio Pablo Lucini, professor do Programa Sesi Pessoas com Deficiência (PSPCD).

Uma amizade que começou dentro da piscina

A partir daí, a história de William na natação começou a mudar. Integrante da categoria S12, destinada a atletas com deficiência visual, ele nasceu com retinose pigmentar, uma doença genética que provoca perda progressiva da visão.

William Costa Nevez foi revelado pelo programa Sesi Pessoas com Deficiência. Foto: Shelton Melo


William não consegue sequer distinguir as cores. Em algumas situações, identifica apenas sombras, principalmente durante o dia e em ambientes muito iluminados. A deficiência visual e as dificuldades financeiras, porém, não o impediram de construir uma carreira no esporte. Hoje, aos 33 anos, ele é considerado o melhor nadador paralímpico do Nordeste e o terceiro melhor do país.

“Começamos um trabalho há cinco anos. Acompanhei ele durante todo o processo de treinos aqui no Sesi. E sempre digo: ganhei um amigo. A gente briga muito na hora das competições, mas, no dia a dia, William é mais que um atleta para mim”, comentou, emocionado, Pablo Lucini.

Do esforço diário ao pódio nacional


Em cinco anos como nadador paralímpico, desde 2021, William já conquistou 12 medalhas de ouro em provas de seletiva. As primeiras medalhas vieram nos Jogos do Paradesporto de Alagoas, realizados em Arapiraca. Em 2024, veio uma conquista ainda mais importante: a medalha de bronze no nado peito no Campeonato Brasileiro, tornando William o primeiro atleta alagoano da categoria a subir ao pódio em uma competição nacional.

William acumula várias medalhas de conquistas estaduais e nacionais naatação paralímpica. Foto: Shelton Melo


“Demorou mais ou menos uma semana para cair a ficha dessa conquista. Fui o primeiro atleta na minha categoria a ganhar uma medalha em nível nacional. Fiquei muito orgulhoso e me senti ainda mais fortalecido. Nada disso seria possível sem o auxílio de muitas mãos e desse projeto, o PSPCD”, contou William.

O alagoano compete nas provas de 400 metros livre, 50 metros livre e 100 metros peito. Hoje, além de atleta, William é funcionário do Sesi, onde atua no Programa Sesi Pessoas com Deficiência. Ele também mora em Maceió e mantém a amizade com Pablo, que começou dentro da piscina.

“Ele é o melhor atleta de Alagoas, disparado. O melhor do Nordeste e o terceiro melhor do país. Falo isso com muito orgulho. É uma pessoa que se dedica muito”, completou Pablo.

Projeto PSPCD


O programa promove a inclusão de pessoas com deficiência por meio do esporte, com modalidades como natação, atletismo, futebol e basquete. A iniciativa do Serviço Social da Indústria (Sesi) de Alagoas busca ampliar o acesso ao esporte, promover qualidade de vida e revelar novos talentos.

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