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FMI vê IA como motor de crescimento, mas alerta para desigualdade e impacto no mercado de trabalho

Documento aponta que tecnologia pode elevar produtividade europeia em 1%, mas prevê forte pressão sobre consumo de energia e efeitos desiguais entre trabalhadores do mundo todo

supercomputador de inteligência artificial no Nordeste. - Fotos: ILUSTRAÇÃO DIGITAL

A inteligência artificial pode aumentar a produtividade e estimular o crescimento econômico, mas também ampliar a desigualdade, pressionar as redes de energia e aumentar a dependência tecnológica de países estrangeiros. O alerta foi apresentado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em um documento preparado para uma reunião de ministros das Finanças da União Europeia.

O estudo estima que a inteligência artificial pode elevar a produtividade europeia em aproximadamente 1% ao longo de cinco anos. O resultado, porém, depende da capacidade dos países de investir em infraestrutura, qualificação profissional, energia e integração econômica.

O cálculo está alinhado a análises anteriores do próprio FMI sobre o impacto da inteligência artificial na produtividade europeia. As projeções podem ser consultadas no estudo do organismo sobre IA e produtividade.

Ganhos da inteligência artificial não serão iguais

De acordo com a avaliação, os benefícios da tecnologia tendem a se concentrar nas economias mais preparadas, com maior capacidade de investimento, mão de obra qualificada e infraestrutura digital. Países e regiões que demorarem a adotar a IA podem ficar para trás na disputa por produtividade e inovação.

O impacto também deve variar entre os trabalhadores. Em algumas ocupações, as ferramentas de inteligência artificial podem ajudar profissionais a produzir mais em menos tempo. Em outras, especialmente nas que envolvem tarefas repetitivas, a automação pode substituir parte da mão de obra.

Nas economias europeias avançadas, cerca de 60% dos trabalhadores estão em ocupações consideradas altamente expostas à inteligência artificial. Exposição, no entanto, não significa necessariamente demissão: o efeito pode ser de substituição, complementação ou transformação das atividades.

Consumo de energia pode aumentar

A expansão da inteligência artificial depende de centros de dados que armazenam informações e processam grandes volumes de comandos. Essas estruturas precisam de eletricidade para funcionar e de sistemas de resfriamento para manter os equipamentos em operação.

O FMI estima que os centros de dados já respondam por cerca de 3% do consumo de eletricidade da Europa. Com a ampliação do uso da IA, a demanda tende a crescer, principalmente em regiões que concentram grandes estruturas tecnológicas.

Cidades como Frankfurt, Londres, Amsterdã, Paris e Dublin já possuem concentração relevante de centros de dados. O aumento do consumo pode pressionar as redes locais e exigir investimentos em transmissão, geração e integração energética entre os países.

Dependência de Estados Unidos e China

Outro risco apontado pelo FMI é a dependência de tecnologias desenvolvidas fora da Europa. Estados Unidos e China concentram grande parte das empresas responsáveis pelos principais modelos e sistemas de inteligência artificial.

Sem investimentos próprios, a Europa pode depender de empresas estrangeiras para acessar modelos, chips, serviços de computação em nuvem e equipamentos necessários ao funcionamento da tecnologia. Essa dependência pode afetar a competitividade, a segurança econômica e a autonomia estratégica do bloco.

O documento defende o fortalecimento do mercado único europeu, com maior integração entre os mercados de capital, trabalho e energia. A medida ajudaria a ampliar o acesso das empresas à tecnologia e distribuir seus ganhos de maneira mais uniforme.

Crescimento global continua desigual

Em sua atualização de julho de 2026, o FMI projetou crescimento mundial de 3% para 2026 e de 3,4% para 2027. Segundo o organismo, a demanda relacionada à inteligência artificial beneficia principalmente os países que já estão integrados à cadeia tecnológica global.

A mesma dinâmica pode aumentar a distância entre economias avançadas e países com menor acesso a investimentos, conectividade, energia confiável e profissionais especializados. O avanço da IA, portanto, pode gerar crescimento sem distribuir seus benefícios de forma equilibrada.

Para reduzir esse risco, governos precisam combinar inovação com políticas de qualificação, proteção social, regulação e estímulo à concorrência. A inteligência artificial pode ampliar a produção, mas os resultados dependerão de como empresas e autoridades administrarão a transição.

As projeções gerais do FMI sobre crescimento, tecnologia e riscos econômicos estão disponíveis na atualização das Perspectivas da Economia Mundial.