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Idosos podem doar órgãos em vida? Entenda por que a idade, sozinha, não impede a doação
Avaliação considera função dos órgãos, doenças prévias e riscos da cirurgia; pessoas mais velhas podem ser consideradas aptas após exames individualizados
ALAGOAS — Pessoas idosas também podem ser doadoras de órgãos em vida. A idade avançada, isoladamente, não exclui alguém da possibilidade de doar. O que determina se a doação pode ser realizada é principalmente o estado de saúde, os riscos envolvidos e uma avaliação médica detalhada.
A análise se torna especialmente cuidadosa depois dos 60 anos, quando aumenta a frequência de condições como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e alterações da função renal. Ainda assim, uma pessoa mais velha e saudável pode ser considerada apta para a doação.
Idoso pode doar órgão em vida?
Sim. Não existe uma idade máxima geral que, por si só, impeça uma pessoa de ser doadora viva de órgãos.
Segundo o Ministério da Saúde, o que determina se um órgão pode ser utilizado para transplante é principalmente o estado de saúde do potencial doador. Algumas condições clínicas e situações específicas podem impor restrições, mas a idade não deve ser analisada de forma isolada.
Na prática, isso significa que duas pessoas da mesma idade podem receber avaliações diferentes dependendo da função dos rins, coração, fígado, histórico de doenças e condições gerais de saúde.
Existe idade máxima para doar órgãos?
Não há uma idade máxima única que se aplique automaticamente a todos os tipos de doação.
A equipe responsável pelo transplante precisa avaliar individualmente se o procedimento é seguro para quem pretende doar e se o órgão apresenta condições adequadas para funcionar no receptor.
O objetivo principal é evitar que a doação coloque em risco a saúde de uma pessoa que, antes da cirurgia, é considerada saudável.
O que é avaliado em um doador com mais de 60 anos?
Em pessoas mais velhas, a investigação costuma ser ainda mais detalhada. Entre os aspectos que podem ser analisados estão:
- histórico clínico e doenças anteriores;
- função dos rins;
- exames de sangue e urina;
- exames de imagem;
- condições cardiovasculares;
- presença de hipertensão ou diabetes;
- estado geral de saúde;
- riscos relacionados à cirurgia;
- capacidade de permanecer saudável após a doação.
A decisão não depende apenas de um número no documento de identidade. O conjunto das condições clínicas é que permite à equipe calcular se a doação pode ser feita com segurança.
Quais órgãos podem ser doados em vida?
Uma pessoa saudável pode doar determinados órgãos ou partes deles sem comprometer funções vitais.
De acordo com o Sistema Nacional de Transplantes, o doador vivo pode doar:
- um dos rins;
- parte do fígado;
- parte do pulmão;
- medula óssea.
A possibilidade depende do tipo de transplante, da compatibilidade entre doador e receptor e da avaliação realizada pela equipe especializada.
Homem doou rim ao filho aos 69 anos
Um caso divulgado durante o Setembro Verde ajuda a mostrar como a idade é apenas uma das variáveis consideradas.
Em 2023, Arivaldo Sampaio tinha 69 anos quando se ofereceu para doar um rim ao filho, que precisava de transplante.
Depois dos exames, pai e filho apresentaram compatibilidade e Arivaldo foi considerado clinicamente apto para a cirurgia.
O transplante foi realizado no Hospital Universitário de Brasília. Três anos depois, segundo relato dado à Agência Brasil, Arivaldo mantém rotina de atividades físicas e passa por acompanhamento periódico.
Ter hipertensão ou diabetes impede a doação?
Não é possível responder a essa pergunta apenas com um diagnóstico isolado.
Hipertensão, diabetes, alterações cardiovasculares e problemas renais são algumas das condições que podem aumentar os riscos e exigir investigação adicional, especialmente em pessoas mais velhas.
A decisão sobre aptidão deve ser tomada pela equipe de transplante depois de exames e avaliação individual. Por isso, uma pessoa interessada em doar não deve concluir sozinha que está apta ou impedida de participar do processo.
Quem pode doar um órgão em vida para outra pessoa?
No Brasil, pessoas maiores de idade, juridicamente capazes e consideradas saudáveis podem ser avaliadas para doação em vida, desde que concordem voluntariamente com o procedimento e a retirada não prejudique a própria saúde.
A legislação permite a doação para parentes de até quarto grau e cônjuges dentro das regras previstas para transplantes.
Quando não existe esse vínculo familiar, a doação também pode ser possível, mas depende de autorização judicial.
Doador vivo pode escolher quem vai receber o órgão?
A doação em vida é diferente da doação realizada após a morte.
Na doação entre vivos, existe um receptor previamente identificado e todo o processo é submetido a avaliações médicas e às exigências legais.
Já os órgãos de doadores falecidos são distribuídos por meio do Sistema Nacional de Transplantes, seguindo critérios técnicos da lista de espera, como compatibilidade, gravidade e outros fatores específicos de cada modalidade.
Como uma pessoa é considerada apta para doar?
Antes da cirurgia, o potencial doador passa por exames e avaliações destinadas a verificar tanto a compatibilidade quanto os riscos do procedimento.
A equipe deve analisar se a pessoa conseguirá manter uma vida saudável depois da retirada do órgão ou de parte dele.
Também é necessário avaliar o órgão que será transplantado e a possibilidade de ele oferecer um bom resultado ao receptor.
Doar um rim significa ficar com apenas um?
Sim. Na doação renal em vida, um dos rins é retirado para ser transplantado no receptor.
Por isso, a avaliação médica procura determinar previamente se o potencial doador possui função renal suficiente e condições para permanecer saudável com o rim remanescente.
O acompanhamento depois da cirurgia também faz parte dos cuidados necessários.
49,4 mil pessoas aguardam transplante no Brasil
A discussão ganha relevância diante do número de brasileiros que dependem de um transplante.
Dados do Sistema Nacional de Transplantes citados pela Agência Brasil apontam que 49,4 mil pessoas aguardam atualmente na fila de transplantes no país.
Em 2025, o Brasil registrou 4.335 doadores efetivos, com taxa de 20,3 doadores por milhão de habitantes.
Como funciona a doação de órgãos em Alagoas?
Em Alagoas, as atividades de doação e transplante são coordenadas pela Central Estadual de Transplantes.
O potencial doador vivo deve ser encaminhado a um centro transplantador, onde serão avaliadas as condições clínicas, a compatibilidade e a possibilidade de realização segura do procedimento.
Os transplantes só podem ser feitos por equipes especializadas e em unidades autorizadas pelo Sistema Nacional de Transplantes.
Onde fica a Central de Transplantes de Alagoas?
A Central Estadual de Transplantes funciona em prédio anexo ao Hospital Geral do Estado (HGE), no bairro do Trapiche da Barra, em Maceió.
O órgão é responsável pela organização, coordenação e regulação das atividades de doação e transplante no estado.
- Local: anexo ao Hospital Geral do Estado (HGE);
- Endereço: Avenida Siqueira Campos, Trapiche da Barra, Maceió;
- Telefone: (82) 3376-8186;
- Atendimento da Central: 24 horas.
Alagoas ampliou número de transplantes em 2026
Nos primeiros quatro meses de 2026, Alagoas realizou 43 transplantes, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde.
Foram 37 transplantes de córnea, três de rim e três de fígado. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 39 procedimentos.
Os números representam crescimento de 10,3% na comparação entre os dois períodos.
Registrar vontade de doar é a mesma coisa que ser doador vivo?
Não. São situações diferentes.
A manifestação de vontade registrada para doação de órgãos se refere principalmente à decisão de doar após a morte. Mesmo com o registro, a família continua sendo consultada no momento da doação.
Já uma pessoa que pretende ser doadora viva precisa procurar o serviço de transplantes e passar por todo o processo médico, psicológico e legal necessário antes de qualquer procedimento.
O que fazer se quiser doar um órgão em vida?
O primeiro passo não é marcar uma cirurgia ou tentar avaliar a própria aptidão. O interessado deve procurar uma equipe ou centro transplantador autorizado.
A partir daí, profissionais especializados verificam a compatibilidade, realizam exames e avaliam cuidadosamente os riscos para quem pretende doar e os possíveis benefícios para o receptor.
Mesmo entre pessoas da mesma idade, a conclusão pode ser diferente. Por isso, especialmente entre idosos, o ponto decisivo não é simplesmente quantos anos a pessoa tem, mas se suas condições de saúde permitem uma doação segura.
Por que o Setembro Verde fala sobre doação de órgãos?
O Setembro Verde é dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. Em Alagoas, a Central Estadual de Transplantes promove ações educativas durante o mês para esclarecer dúvidas e estimular a discussão sobre o tema.
O dia 27 de setembro também marca o Dia Nacional da Doação de Órgãos, reforçando a importância de informação segura sobre transplantes, doadores vivos e doação após a morte.
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