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Golpe do QR Code falso pode desviar pagamentos e dificultar recuperação do dinheiro
Fraude conhecida como quishing usa códigos adulterados em estabelecimentos, lojas virtuais e boletos; Febraban orienta consumidores a conferir os dados antes de confirmar a transação
O pagamento por QR Code exige atenção redobrada dos consumidores. No golpe conhecido como quishing, criminosos adulteram códigos para direcionar o dinheiro a contas diferentes das esperadas, sem que a vítima perceba a fraude antes de concluir a operação.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os códigos falsos podem aparecer em restaurantes, feiras, estacionamentos, lojas virtuais e boletos impressos. Em estabelecimentos físicos, por exemplo, adesivos com códigos fraudulentos podem ser colocados sobre os originais.
Na internet, os criminosos podem alterar dados de pagamento ou criar páginas que imitam lojas conhecidas. A fraude também pode atingir boletos com QR Code, cujo pagamento, quando realizado via Pix, é transferido instantaneamente para a conta indicada.
O diretor de serviços e segurança da Febraban, Raphael Mielle, recomenda conferir o nome do recebedor e o valor exibidos no aplicativo bancário antes de autorizar a operação. Divergências nesses dados podem indicar uma tentativa de fraude.
O que fazer se cair no golpe
Quem identificar um pagamento fraudulento deve entrar em contato imediatamente com o banco para contestar a transação. Também é importante registrar um boletim de ocorrência e guardar comprovantes, boletos, mensagens e outros registros relacionados ao caso.
Em pagamentos via Pix, a vítima pode solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) à instituição financeira em até 80 dias após a transação. A recuperação depende da análise da ocorrência e da disponibilidade de recursos nas contas envolvidas, podendo ser total, parcial ou não acontecer.
Como se proteger
• Confira o destinatário: verifique se o nome exibido pelo banco corresponde à empresa ou pessoa que deveria receber o pagamento.
• Confira o valor: compare a quantia apresentada no aplicativo com o preço da compra ou da conta.
• Observe o código físico: desconfie de adesivos sobrepostos, sinais de alteração ou códigos em locais incomuns.
• Verifique o site: prefira acessar diretamente a página oficial da loja e confira o endereço eletrônico.
• Confira boletos: mesmo que o documento pareça legítimo, verifique os dados do recebedor antes de pagar.
• Interrompa a operação em caso de divergência: confirme as informações com o estabelecimento por um canal oficial.
Um levantamento do Observatório Rosenbaum de Golpes e Fraudes Bancárias identificou 1.041 decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo sobre golpes do falso boleto, entre junho de 2025 e agosto de 2026. Em metade dos casos, houve ressarcimento total ou parcial. Em outros cinco tribunais estaduais analisados, o índice foi de 36,9%.
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