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Produção industrial cai 0,8% em setembro: o que puxou a queda e o que esperar

O IBGE aponta a quarta queda em cinco meses. No ano, a indústria ainda acumula alta de 0,4%, mas o ritmo de crescimento perdeu força. Juros elevados e a redução no processamento de cana-de-açúcar estão entre as causas

produção industrial setembro 2026. - Fotos: Imagem ilustrativa gerada por IA / O Alagoano

RIO DE JANEIRO — A produção industrial brasileira caiu 0,8% em setembro na comparação com agosto, informou o IBGE nesta quinta-feira (5). Foi o segundo mês consecutivo de retração e a quarta queda em cinco meses. O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas, que projetavam recuo de 0,2% a 0,4%. Com o desempenho, a indústria ainda acumula alta de 0,4% em 2026, mas o ritmo de crescimento perdeu força.

O que puxou a queda da indústria em setembro

Duas atividades concentraram as maiores perdas: coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,2%) e produtos alimentícios (-1,7%). Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, a redução no processamento de cana-de-açúcar, impactada pelo maior volume de chuvas, explica boa parte desse recuo. Entre as grandes categorias, bens de capital (máquinas e equipamentos) tiveram a queda mais intensa (-1,9%), seguidos por bens de consumo semi e não duráveis (-1,2%) e bens intermediários (-0,7%). Apenas bens de consumo duráveis cresceram (0,7%). Ao todo, 17 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram perdas.

Juros altos são a principal causa, diz IBGE

Para Macedo, a política monetária restritiva é a principal influência sobre o resultado negativo. “O juro mais elevado tem ligação com as condições de crédito, restringindo o acesso, e também impacto nas famílias, com elevada inadimplência”, afirmou. Na prática, o crédito mais caro trava investimentos das empresas e o consumo das famílias, afetando diretamente a produção industrial.

O que esperar para os próximos meses

Na comparação com setembro de 2025, a produção caiu 2,5% — o recuo mais intenso desde março de 2024. A indústria também está 16,5% abaixo do pico histórico, alcançado em maio de 2011. Economistas avaliam que o setor já dá sinais claros de deterioração e que a recuperação depende da trajetória dos juros e da demanda doméstica. A indústria extrativa (1,7%) foi o único alívio no mês, impulsionada pela extração de petróleo e minério de ferro.