Apostaram errado: JHC vira o jogo e desafia clã Calheiros
Vice-presidente nacional do PSDB surpreendeu ao dar o passo mais difícil — deixar a prefeitura no meio do mandato para um voo mais alto
Apostaram errado. Quem dava como certa a caminhada tranquila de Renan Calheiros Filho (MDB) ao governo de Alagoas terá que recalcular a rota. Neste sábado, 4, JHC deixou a Prefeitura de Maceió para concorrer ao Palácio República dos Palmares, e o cenário político estadual ganhou um novo e imprevisível capítulo.
Até então, a aposta era numa vitória tranquila do herdeiro político do clã Calheiros. Sem um adversário à altura, o caminho para o Palácio República dos Palmares parecia pavimentado. Mas JHC, que lidera as pesquisas, jogou por terra a previsão de um pleito sem graça. Mais do que isso: demonstrou algo raro na política local — coragem e independência.
O agora ex-prefeito, bem avaliado na capital, não apenas entra na disputa como impõe novas variáveis. As articulações agora giram em torno da formação das chapas. E há um dado nada trivial: o PL ainda pode lançar um candidato próprio ao governo, movimento que, ironicamente, atenderia aos interesses tanto de Renan Calheiros quanto de Arthur Lira — ambos de olho em vagas no Senado.
JHC, porém, sinaliza que não será peça de tabuleiro de ninguém. Diz estar aberto ao diálogo, mas com uma condição inegociável: manter a coerência com sua trajetória política. Traduzindo: aliança com Calheiros, por ora, está descartada.
Quanto a Lira, a porta não está fechada, mas o grupo de JHC deixa claro que não haverá submissão. Os termos, se vierem, serão outros.
A pergunta que fica é: até onde vai essa disposição de romper com o velho jogo de alianças familiares e casuísmos? JHC surpreendeu ao dar o passo mais difícil — deixar a prefeitura no meio do mandato para um voo mais alto. Mas as urnas, em outubro, dirão se a coragem se traduz em votos.
Uma coisa é certa: ninguém mais pode dizer que a eleição em Alagoas já está decidida. E isso, por si só, já é uma vitória para a democracia.