» Sociedade

Projeto da Ufal visa preservar patrimônio cultural de bairros afetados por atividades da Braskem

Iniciativa busca documentar e valorizar tradições, festas e saberes dos bairros Bebedouro, Mutange e Bom Parto

Casa José Lopes - Fotos: Edilson Omena

Na última terça-feira (6/8), a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) apresentou ao procurador-geral de Justiça, Lean Araújo, o Inventário do Patrimônio Cultural Imaterial (IPCI), uma iniciativa para preservar as manifestações culturais dos bairros Bebedouro, Mutange e Bom Parto, severamente afetados pela atividade de mineração da Braskem em Maceió.

A coordenadora do IPCI, Adriana Guimarães, explicou que o projeto visa realizar uma pesquisa detalhada sobre as tradições, festas, rituais e comidas típicas dessas áreas, além de analisar a importância dos espaços públicos como mercados e praças, que desempenhavam um papel crucial nas comunidades afetadas.

“Por meio do IPCI, estamos realizando um levantamento das referências culturais imateriais dos locais que foram desocupados em virtude do risco de afundamento do solo relacionado à atividade de mineração”, ressaltou a coordenadora.

O procurador-geral Lean Araújo elogiou o projeto e enfatizou a importância de um esforço conjunto entre diferentes órgãos para enfrentar a situação. “É fundamental ampliar o diálogo e incluir todos os atores estatais, como o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública, para que possamos atuar coletivamente na execução das ações estratégicas do IPCI”, ressaltou Araújo.

Além de Adriana Guimarães, participaram da reunião os representantes do IPCI Clair Moura Júnior, Juliana Rebelo Barretto e Josemary Ferrare, também coordenadora do projeto.

Objetivos e ações do IPCI

O IPCI tem como objetivos principais mapear os fazedores de cultura dos bairros afetados, documentar saberes e práticas culturais populares, analisar os impactos do desastre e propor medidas para garantir a continuidade das práticas culturais.

O projeto é conduzido pela UFAL através da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e visa cumprir as condições estabelecidas no acordo socioambiental firmado entre a Braskem, o Ministério Público Federal e o Ministério Público de Alagoas.

O acordo foi estabelecido em resposta aos impactos da catástrofe tecnológica e ao iminente risco de afundamento da região, o que levou à desocupação dos bairros afetados.

*Com informações da Assessoria