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Estrela de Alagoas recebeu R$ 25 milhões por emenda de Arthur Lira, mas estradas não saíram do papel

Estradas rurais anunciadas pelo DNOCS tiveram serviços iniciados, mas foram interrompidos após as eleições de 2024 no município

Estrela de Alagoas recebeu R$ 25 milhões por emenda de Arthur Lira - Fotos: Reprodução

O município de Estrela de Alagoas passou a integrar o mapa de cidades que aguardam a conclusão de obras de infraestrutura anunciadas com recursos federais. A situação ganhou destaque após a divulgação de reportagens nacionais que acompanham a Operação Overclean, da Polícia Federal, que investiga o uso de emendas parlamentares e contratos firmados por órgãos federais.

Em Estrela de Alagoas, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) anunciou o asfaltamento de duas estradas rurais, com investimento estimado em R$ 25 milhões. No entanto, a execução das obras não avançou conforme o previsto. Em uma das vias, os serviços se limitaram à terraplanagem. Na outra, o asfalto chegou apenas a um pequeno trecho, sendo interrompido antes da conclusão. Desde o fim das eleições municipais de 2024, as frentes de trabalho não foram retomadas.

À época do anúncio, o município era administrado por Aldo Lira (PP), que aparece em vídeo divulgado nas redes sociais agradecendo ao deputado federal Arthur Lira (PP-AL) pela destinação dos recursos. Nas imagens, o então gestor associa o parlamentar ao empreendimento viário, que tinha como objetivo melhorar o acesso às comunidades rurais.

Procurado sobre o caso, Arthur Lira afirmou que a responsabilidade pela execução das obras é do DNOCS, órgão federal vinculado ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Segundo ele, a condução dos serviços, bem como eventuais atrasos ou paralisações, não dependem do parlamentar.

As duas obras paradas em Estrela de Alagoas foram contratadas junto à empresa Construmaster, que posteriormente alterou sua razão social para Vieira Infraestrutura. A empreiteira é alvo de outra investigação da Polícia Federal, a Operação Fake Road, que apura indícios de fraudes, superfaturamento e execução irregular de obras de pavimentação em estados do Nordeste, como Ceará e Rio Grande do Norte. De acordo com os órgãos de controle, o prejuízo estimado nesses contratos ultrapassa R$ 18 milhões.

Segundo dados do Portal da Transparência, a empresa recebeu mais de R$ 114 milhões em verbas federais entre 2022 e 2025, sendo uma parcela significativa proveniente de emendas parlamentares. Parte desses recursos está sob análise dos investigadores, que apuram a regularidade da execução dos serviços e a comprovação das obras.

*Com informações do Fantástico