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Abertura das sessões da Câmara de União dos Palmares vão ter que mudar?

Decisão do Tribunal de Justiça da Paraíba reacende debate sobre leitura bíblica e ritos religiosos no Legislativo municipal

Câmara de Vereadores de União dos Palmares - Fotos: Gustavo Lopes/O Alagoano

Uma decisão do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), na última quarta-feira (4/2), que considerou inconstitucional a invocação religiosa obrigatória na abertura das sessões da Assembleia Legislativa daquele estado, abriu espaço para discussões em outras cidades brasileiras — incluindo União dos Palmares, onde é tradição iniciar as sessões da Câmara Municipal com a leitura e explicação de versículos bíblicos.

Na Paraíba, o entendimento da maioria dos desembargadores foi de que a obrigatoriedade de ritos religiosos pode ferir princípios constitucionais como a laicidade do Estado, a liberdade religiosa e a neutralidade do poder público. A decisão ocorreu após uma Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo Ministério Público paraibano, que apontou que o regimento interno da Assembleia previa invocação religiosa e a presença da Bíblia como parte do rito oficial das sessões.

Em União dos Palmares, a prática de abrir sessões legislativas com referências bíblicas é considerada tradicional e integra a rotina do plenário. A decisão paraibana, porém, levanta a possibilidade de debates jurídicos em municípios que mantêm procedimentos semelhantes, especialmente caso haja questionamentos formais sobre a constitucionalidade dessas práticas.

Para que uma eventual mudança ocorra no município, seria necessária a provocação de órgãos de controle, como o Ministério Público, que poderia analisar se o rito atual está em conformidade com os princípios constitucionais aplicáveis ao poder público. Até o momento, não há registro de ação judicial sobre o tema em União dos Palmares, e qualquer alteração dependeria de análise jurídica específica e eventual decisão da Justiça.