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Babá é denunciada pelo MP por suspeita de tortura contra criança com TEA no interior de Alagoas

Testemunhos, laudos e registros em áudio reforçam acusações de agressões físicas e psicológicas contra menino em situação de vulnerabilidade

Criança era submetida a agressões física e verbal, com palavras de baixo calão - Fotos: Reprodução

O Ministério Público de Alagoas (MPAL), por meio da Promotoria da Infância e da Juventude de Arapiraca, apresentou denúncia contra uma babá investigada por atos de violência contra um menino com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A mulher havia sido contratada para cuidar da criança durante o período em que a mãe trabalhava. Segundo o órgão ministerial, depoimentos de testemunhas e documentos reunidos ao longo da apuração apontam indícios considerados consistentes sobre a autoria das agressões.

O caso começou a ser apurado oficialmente no dia 30 de janeiro, quando foi instaurado procedimento preliminar e solicitadas medidas investigatórias às autoridades competentes, culminando na elaboração de inquérito policial. Conforme o Ministério Público, a vítima é uma criança não verbal, com TEA suporte 3, o que amplia a gravidade das acusações diante da condição de vulnerabilidade.

De acordo com a promotora de Justiça Viviane Farias, os elementos colhidos indicam que a denunciada teria submetido o menino a episódios recorrentes de violência física e psicológica. “Sustentaremos, após os depoimentos colhidos, que ela atentou contra a vida da criança, indefesa e com limitações, de forma consciente e voluntária. E, reincidentemente, a submetia a agressões física e verbal, com palavras de baixo calão, afetando o fator psicoemocional do menino. Para o Ministério Público, a denunciada incidiu na prática de tortura, castigo, inclusive teria comentado que mataria o infante”, afirmou.

O exame de corpo de delito confirmou a presença de lesões, reforçando as suspeitas iniciais. Ainda segundo a promotora, as condutas atribuídas ultrapassam crimes como maus-tratos e lesão corporal. “Não há como ficar inerte diante de uma situação que ultrapassa qualquer grau de crueldade contra uma criança indefesa”, declarou.

Testemunhas também apresentaram registros em áudio que, conforme o MPAL, contrariam as negativas da suspeita durante depoimento. O caso segue sob acompanhamento da Justiça, enquanto as autoridades analisam as provas e dão continuidade aos procedimentos legais.