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Laudo do IMA aponta contaminação por esgoto como causa de mortandade de peixes em Jequiá da Praia

Análises identificam parâmetros acima do permitido na foz do Rio e na Lagoa Jequiá; caso foi encaminhado para fiscalização

Análise foi realizada pela Gerência de Laboratório após o recebimento de denúncia sobre o caso - Fotos: Assessoria

O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL) divulgou, nesta quarta-feira (25/2), o laudo técnico que detalha as causas da mortandade de peixes registrada na laguna situada entre os povoados Mutuca e Paturais, no município de Jequiá da Praia.

As coletas foram realizadas no dia 11 de fevereiro, com três amostras retiradas — duas na foz do Rio Jequiá e uma na margem da Lagoa Jequiá. O relatório identificou quatro parâmetros acima dos limites estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 357/2005 para águas doces: coliformes termotolerantes, Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), ferro dissolvido e fósforo total.

Segundo o documento, duas amostras apresentaram elevada concentração de Escherichia coli (E. coli), indicando possível contaminação por esgoto. Também foi constatado excesso de fósforo em todos os pontos analisados, condição que pode favorecer a proliferação de algas e reduzir os níveis de oxigênio dissolvido na água.

Além disso, foram registrados índices elevados de ferro e de DBO — parâmetro que mede a quantidade de oxigênio necessária para decompor matéria orgânica presente na água. Altos valores de DBO costumam estar associados ao lançamento de esgoto doméstico ou efluentes, o que compromete a qualidade ambiental e a sobrevivência da fauna aquática.

A análise foi conduzida pela Gerência de Laboratório (Gelab) do IMA após denúncia formal. O laudo aponta que a contaminação tem origem antrópica, ou seja, relacionada a ações humanas diretas ou indiretas.

“Os resultados indicam possível impacto de esgoto sem tratamento e do transporte de resíduos pela água da chuva. A matéria orgânica encontrada pode ter origem em esgoto doméstico, fezes, restos de alimentos ou resíduos da atividade agrícola. O excesso de matéria orgânica e nutrientes reduz o oxigênio disponível na água, o que pode prejudicar os peixes e explicar o desequilíbrio registrado”, explicou o biólogo e gerente do Laboratório do IMA, Paulo Lira.

O relatório foi encaminhado à Gerência de Monitoramento e Fiscalização (Gemfi), responsável pela adoção das medidas cabíveis. As multas previstas podem variar de R$ 46.400,13 a R$ 2.320.790,00, conforme a gravidade da infração.

O IMA reforçou a relevância ambiental, social e econômica do Rio e da Lagoa Jequiá para o estado, especialmente para comunidades que dependem da pesca e para o ecossistema de manguezais. O órgão orienta que a população denuncie irregularidades, como lançamento de esgoto, por meio do aplicativo IMA Denuncie, disponível para sistemas Android e iOS.