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TJ de Alagoas mantém condenação de 28 anos contra mandante da morte de advogado Marcos André

Corte rejeita recurso da defesa de Janadaris Sfredo e confirma sentença pelo assassinato ocorrido em 2014 no Francês

Advogado Marcos André de Deus Félix - Fotos: Reprodução

O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) manteve, por unanimidade, a condenação de 28 anos de prisão imposta a Janadaris Sfredo, apontada como mandante do assassinato do advogado Marcos André de Deus Félix. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (11/3), durante julgamento do recurso de apelação apresentado pela defesa da ré, que buscava a redução da pena.

Durante a sessão do Pleno, o procurador de Justiça Luiz Vasconcelos realizou sustentação oral em defesa da manutenção da sentença, proferida em agosto de 2025. O Ministério Público de Alagoas (MPAL) argumentou que o conjunto de provas reunidas ao longo da investigação e do julgamento foi suficiente para comprovar a participação intelectual de Janadaris no crime.

“O caso da Janadaris foi um entre os tantos que fizemos a sustentação hoje, já tinha o parecer nos autos, bem esclarecedor, que não deixava dúvida sobre a autoria intelectual, foram reforçados vários pontos, entre eles o menosprezo pela vítima mostrando, inclusive, saques feitos por ela no mesmo dia para pagar os executores. E, por unanimidade, o recurso de apelação da defesa foi indeferido”, explicou o procurador de Justiça Luiz Vasconcelos.

A acusação também contou com a atuação do advogado Roberto Moura como assistente de acusação. Ele destacou que a decisão da Câmara Criminal representa um marco na busca por justiça para a família da vítima.

“Hoje é um dia de justiça. A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas, de forma unânime, manteve a condenação de Janadaris Sfredo a 28 anos de reclusão pela morte de Marcos André de Deus Félix. Foi uma decisão técnica, fundamentada e corajosa, que reafirma que nenhum crime fica impune quando o sistema de justiça funciona como deve”, afirmou.

O advogado também ressaltou que o crime teve relação direta com a atuação profissional da vítima. “Marcos André era advogado. Foi assassinado por exercer o seu ofício — por ter representado bem um cliente e vencido uma causa. Isso é inaceitável em qualquer sociedade que se pretenda democrática”, acrescentou.

Segundo ele, a manutenção da condenação representa um desfecho importante após anos de luta da família. “Expressamos nossa satisfação em nome de Manoela Alessandra de Deus Félix, irmã da vítima, e de toda a família Felix. Foram quase doze anos de luta. Hoje, a memória de Marcos André é honrada. Sua morte não foi em vão”, declarou.

Com a decisão, Janadaris Sfredo permanece presa no Presídio Feminino Santa Luzia, em Maceió, onde cumpre a pena determinada pela Justiça.

O crime

O assassinato de Marcos André ocorreu em março de 2014 e teve origem em um conflito envolvendo a administração de uma pousada localizada na Praia do Francês. O advogado representava o proprietário do estabelecimento em uma ação judicial de despejo movida contra Janadaris Sfredo e o marido dela, Sérgio Sfredo, responsáveis pela arrendação do imóvel.

De acordo com a investigação, o advogado foi alvo de uma emboscada armada por dois homens contratados para executá-lo. Ele foi seguido após sair da praia e baleado nas proximidades do hotel, atingido por três disparos à queima-roupa.

Mesmo gravemente ferido, Marcos André sobreviveu por alguns dias. Durante o período em que permaneceu internado, ele chegou a relatar por escrito a um amigo advogado que temia ser vítima de um atentado e apontou Janadaris como responsável pelo crime.

O advogado foi baleado no dia 14 de março de 2014 e morreu no dia 27 do mesmo mês no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA), em Maceió, após permanecer internado em estado grave com lesões no tórax e no abdome.

*Com informações da Assessoria