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Feminicida é condenado a mais de 33 anos de prisão por matar ex-companheira em Maceió

Réu confessou o crime durante julgamento e teve todas as qualificadoras reconhecidas pelo júri popular

Promotor de Justiça Paulo Henrique Prado Filho - Fotos: Assessoria

Um homem acusado de assassinar a ex-companheira a facadas foi condenado a 33 anos e 8 meses de prisão em regime inicialmente fechado após julgamento realizado nesta quinta-feira (12/3), em Maceió. O réu, Jorge Luiz Henrique Barbosa, foi considerado culpado pelo feminicídio de Fabiana Cassimiro da Silva, crime ocorrido em julho de 2023 no bairro Cidade Universitária.

Durante o júri popular, o Ministério Público de Alagoas sustentou que o assassinato foi cometido de forma cruel e motivado pela inconformidade do acusado com o fim do relacionamento. O casal havia vivido junto por cerca de 13 anos e estava separado havia dois meses na época do crime.

Segundo relatos apresentados no julgamento, Jorge Luiz não aceitava que a ex-companheira tivesse iniciado um novo relacionamento. Testemunhas também apontaram que o relacionamento era marcado por episódios de violência e discussões frequentes.

De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu quando o acusado se aproximou da vítima sob o pretexto de conversar. Em seguida, passou a desferir diversos golpes de faca contra Fabiana. O ataque aconteceu mesmo diante da presença de um dos filhos do casal, de 13 anos, que tentou impedir a agressão.

A acusação destacou ainda que a vítima tentou fugir após pedir ajuda, mas acabou alcançada pelo agressor, que retomou as agressões e consumou o homicídio.

Ao final do julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu todas as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público: motivo torpe, pelo fato de o crime ter sido motivado pela não aceitação do término do relacionamento; emprego de meio cruel, devido à quantidade de golpes de faca; recurso que dificultou a defesa da vítima; e feminicídio, por ter sido cometido no contexto de violência doméstica.

Após o crime, o acusado fugiu do local e foi localizado pela polícia nas proximidades de um viaduto na capital. Segundo informações da ocorrência, ele chegou a ameaçar se jogar do local e permaneceu por cerca de cinco horas em negociação com os policiais até aceitar se entregar.

Depois da prisão, Jorge Luiz foi encaminhado inicialmente a uma unidade de saúde devido a ferimentos provocados por ele próprio e, em seguida, levado à delegacia, onde confessou o assassinato.

Para o Ministério Público, a condenação reforça a importância do enfrentamento à violência contra a mulher e da responsabilização de autores de feminicídio. O caso também expôs o histórico de agressões que, segundo testemunhas, já fazia parte da rotina vivida pela vítima antes do crime.