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Diagnóstico criminoso: saiba quais os riscos que correm os pacientes do falso Psiquiatra de Alagoas

Cicero Cavalcanti de Lima Neto - Fotos: Reprodução/Redes Sociais

A atuação de um falso especialista em psiquiatria e neurologia transforma o consultório em uma roleta-russa para os pacientes. Sem o Registro de Qualificação de Especialista (RQE), o profissional não possui a formação técnica exigida por lei para diagnosticar e tratar doenças complexas, expondo a população a riscos que poderiam ser evitados.


O erro de um diagnóstico é a porta de entrada para o sofrimento evitável. Condições graves como epilepsia, esclerose múltipla, transtorno bipolar e esquizofrenia podem ser confundidas entre si ou tratadas como quadros menos severos. Um diagnóstico equivocado significa meses ou anos de tratamento inadequado enquanto a doença real avança silenciosamente.

A prescrição de psicofármacos e anticonvulsivantes sem o devido conhecimento especializado agrava ainda mais o cenário. Medicações mal indicadas ou com dosagem incorreta podem causar efeitos colaterais severos, dependência química e síndromes de abstinência perigosas. O paciente sai do consultório com uma receita que pode fazer mais mal do que bem.

Os danos vão além da saúde individual. A sobrecarga no sistema público é imediata: pacientes mal diagnosticados retornam repetidamente em busca de solução, ocupam vagas que poderiam ser destinadas a quem realmente precisa e geram desperdício de recursos públicos. A confiança no SUS também é abalada.

Apesar da gravidade, a irregularidade persiste por anos. A falta de fiscalização efetiva dos conselhos regionais e a omissão de gestores municipais permitem que falsos especialistas continuem atendendo. Milhares de pacientes em Alagoas e em outros estados confiam estar recebendo cuidados especializados quando, na verdade, estão entregues a um diagnóstico criminoso.