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Muito além dos passos: coreógrafo Thales Ribeiro faz do São João uma missão de vida em Santana do Mundaú

À frente da Flor de Laranjeira, coreógrafo dedica meses de preparação para levar à arena espetáculos marcados por emoção, criatividade e tradição nordestina

Thales Ribeiro - Fotos: Arquivo pessoal

Quando junho chega, o ritmo da vida muda para quem dedica meses de trabalho à cultura junina. Em Santana do Mundaú, o coreógrafo Thales Ribeiro vive intensamente esse período à frente da quadrilha junina Flor de Laranjeira, transformando ensaios, criatividade e paixão em espetáculos que emocionam o público e mantêm viva uma das maiores tradições do Nordeste.

À frente da preparação artística do grupo, Thalles dedica meses à construção de temas, coreografias, figurinos e encenações que valorizam as tradições nordestinas. O trabalho envolve dezenas de integrantes e exige planejamento, disciplina e compromisso com a cultura popular.

"A Flor de Laranjeira é muito mais do que uma quadrilha para mim. É um projeto que carrega história, dedicação e o amor de muitas pessoas pela cultura junina. Cada apresentação é construída com muito esforço para emocionar o público e representar bem Santana do Mundaú", destacou o coreografo.

A cada temporada, a Flor de Laranjeira leva para a arena espetáculos que misturam emoção, criatividade e identidade regional. Neste ano, o grupo apresenta o tema "O Milharal: Entre Pragas e Fé", que retrata a história de um homem que, após alcançar uma boa colheita, passa a atribuir o sucesso apenas ao próprio esforço, deixando de lado a fé e a gratidão a São José, protetor das plantações.

A mudança de postura resulta em uma infestação de pragas que destrói parte da lavoura. Diante da crise, ele reencontra a fé, pede perdão ao santo e faz uma promessa. Com a devoção renovada, a colheita se restabelece, reforçando valores como fé, humildade e perseverança.

Para Thales, ver as arquibancadas cheias, os dançarinos emocionados e a cultura sendo celebrada é a maior recompensa de um trabalho que vai muito além da coreografia: é a missão de manter acesa a chama das tradições que unem comunidades e atravessam gerações.