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Turma de Dança da ETA/Ufal expõe relatos de desvalorização e tratamento desigual durante curso
Carta aberta reúne queixas sobre acolhimento, práticas pedagógicas, reconhecimento artístico e critérios para bolsas
A turma 2024.1 de Dança da Escola Técnica de Artes da Universidade Federal de Alagoas (ETA/Ufal) publicou, nesta segunda-feira (27/7), uma carta aberta sobre experiências vividas durante a formação.
Os estudantes relatam falta de acolhimento institucional e afirmam que a diversidade de trajetórias, estilos e condições socioeconômicas não teria recebido a devida valorização no ambiente acadêmico.
Segundo o documento, críticas à técnica, aos movimentos e às escolhas artísticas teriam ultrapassado os limites de uma orientação pedagógica construtiva, provocando insegurança e sentimento de desvalorização.
A turma também questiona os critérios para concessão da bolsa permanência e menciona situações que teriam causado receio de prejuízos acadêmicos após manifestações e contribuições apresentadas por alunos.
Ao divulgar a carta, os estudantes pedem diálogo, transparência e respeito às diferentes linguagens da dança. O espaço permanece aberto para que a direção da ETA/Ufal apresente seu posicionamento.
Confira a nota na íntegra:
"CARTA ABERTA
A Turma de Dança 2024.1 da Escola Técnica de Artes da Universidade Federal de Alagoas (ETA/UFAL) manifesta, por meio desta nota, sua profunda insatisfação diante das situações vivenciadas ao longo de todo o período de formação.
Nossa turma é composta por estudantes com diferentes trajetórias, faixas etárias, condições socioeconômicas, estilos de dança e experiências profissionais, refletindo a diversidade que caracteriza a sociedade brasileira e que deve ser acolhida e valorizada no ambiente universitário.
Entretanto, desde o início do curso, diversos estudantes relataram vivências marcadas pela ausência de acolhimento institucional e por tratamentos que entenderam como desiguais em relação a outras turmas. Houve situações em que questionamentos apresentados por discentes, no exercício legítimo do diálogo acadêmico, teriam sido recebidos de forma desproporcional, resultando, segundo os relatos, em tratamento diferenciado.
Também observamos situações que geraram questionamentos quanto aos critérios adotados para a concessão da bolsa permanência, com registros de estudantes que, mesmo não atendendo aos requisitos de frequência, teriam sido contemplados, enquanto outros que cumpriam as exigências permaneceram em lista de espera.
Outro aspecto preocupante foi a circulação de comentários sobre a suposta qualidade técnica de nossa turma entre estudantes e docentes de outros cursos e módulos. Consideramos que esse tipo de conduta contraria os princípios éticos e o ambiente de respeito que a própria instituição busca promover em sua formação.
Ao longo do curso, fomos constantemente questionados quanto à nossa técnica e à qualidade de nossos movimentos, muitas vezes para além do que se espera de um processo pedagógico saudável e construtivo. Essas situações persistiram até os momentos finais da formação, inclusive durante os ensaios e a apresentação do espetáculo de conclusão.
Ao longo da nossa formação, também enfrentamos recorrentes episódios de desvalorização de nossas trajetórias artísticas e profissionais, bem como de nossas escolhas estéticas e metodológicas. Em diversos momentos, a opção de não direcionarmos nossa formação para uma única técnica de dança foi tratada de forma depreciativa, como se representasse menor comprometimento ou qualidade técnica, apesar de termos participado integralmente das atividades formativas e desenvolvido todas as metodologias propostas durante o curso. Tal postura desconsidera a pluralidade de linguagens que compõem a dança e ignora a riqueza das experiências, saberes e vivências que cada estudante traz consigo.
Também registramos situações que reforçaram a percepção de falta de reconhecimento da turma, inclusive em atividades tradicionalmente destinadas às turmas anteriores. Ainda que tenha havido tentativa de inclusão, as circunstâncias em que isso ocorreu contribuíram para intensificar o sentimento de desvalorização já vivenciado ao longo de nossa formação.
Entendemos que uma instituição pública de ensino deve promover a diversidade de percursos formativos, respeitando a autonomia intelectual e artística dos discentes, sem estabelecer hierarquias entre técnicas ou desqualificar trajetórias que dialoguem com diferentes perspectivas da arte e da educação.
Compartilhamos também, a preocupação com situações em que iniciativas e contribuições apresentadas por estudantes não receberam o devido reconhecimento ou abertura ao diálogo institucional. Em um desses episódios, foi alegada a possibilidade de prejuízo à permanência de um discente no curso. Independentemente das circunstâncias que envolveram o caso, entendemos que a possibilidade de vincular a participação acadêmica à permanência do estudante gera insegurança e não condiz com um ambiente educacional pautado pelo diálogo, pelo respeito às diferentes competências e pelo incentivo ao protagonismo estudantil.
Esta manifestação não tem como objetivo desmerecer a instituição, seus profissionais ou a importância da ETA/UFAL para a formação artística em nosso estado. Pelo contrário, acreditamos no papel transformador da educação pública e entendemos que apontar essas situações é uma forma de contribuir para que futuras turmas encontrem um ambiente mais acolhedor, respeitoso, transparente e comprometido com os princípios da equidade, da ética e do ensino de qualidade.
27/07/2026
Turma de Dança 2024.1
Escola Técnica de Artes da Universidade Federal de Alagoas – ETA/UFAL"
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