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Operação Delivery; Gestão Remi Filho entra na mira da Polícia Federal por suspeitas de corrupção

Investigação apura pagamento de propina e desvio de recursos federais em obras de escolas e quadras esportivas de Murici

Remi Calheiros e Remi Filho - Fotos: Reprodução/Instagram

A Operação Delivery colocou servidores da gestão do prefeito Remi Filho no centro de uma investigação sobre suposta corrupção em Murici. A ação foi deflagrada nesta terça-feira (28/7) pela Polícia Federal (PF).

A operação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União em Alagoas (CGU/AL). Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Murici e Maceió, além de medidas cautelares contra servidores investigados.

Por determinação judicial, agentes públicos foram afastados de suas funções. A Justiça também autorizou o bloqueio e o sequestro de bens e valores que alcançam R$ 1.301.762,59.

O esquema 

A investigação apura possíveis irregularidades em contratos financiados com recursos federais para construção e reforma de escolas e quadras esportivas em Murici.

Segundo a PF, servidores municipais teriam solicitado propina e recebido percentuais calculados sobre os contratos. Em troca, os agentes públicos teriam fornecido informações privilegiadas e favorecido empresas em licitações e contratações.

Durante as buscas realizadas nesta terça, os policiais encontraram R$ 123 mil, US$ 1.697, 7.345 euros e 550 libras esterlinas. Conforme o balanço divulgado, os valores apreendidos correspondem a R$ 178.048,31.

O flagrante que iniciou a investigação

A Operação Delivery é resultado direto de um flagrante registrado em Murici em 12 de novembro de 2025. Na ocasião, um empresário foi preso por suspeita de corrupção ativa enquanto transportava R$ 270 mil em espécie.

A prisão ocorreu dentro de um prédio da administração municipal. Com o dinheiro, a PF também encontrou anotações que indicariam possíveis pagamentos de vantagens indevidas ligados a contratos de obras públicas.

O homem preso foi identificado como o empresário e político pernambucano Diogo Andrade. Natural de Pernambuco, ele disputou a Prefeitura de Maraial pelo Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições municipais de 2024.

Diogo recebeu 2.665 votos, equivalentes a 39,66% dos votos válidos, e terminou a disputa na segunda colocação. Após o flagrante em Murici, ele foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal em Alagoas.

As diligências iniciadas após a prisão avançaram ao longo dos meses seguintes. De acordo com a PF, os elementos recolhidos apontaram indícios de um esquema envolvendo vantagens indevidas, agentes públicos e empresas responsáveis por obras.

Servidores da gestão foram afastados

O afastamento determinado pela Justiça alcança servidores vinculados à administração municipal de Murici. A medida busca impedir interferências na coleta de provas e na continuidade das investigações.

Embora a operação alcance integrantes da gestão Remi Filho, as informações divulgadas não apontam o prefeito como alvo dos mandados nem afirmam que ele esteja entre os investigados. A apuração está concentrada nas condutas dos servidores e empresários envolvidos.

A Polícia Federal ainda trabalha para identificar outros possíveis participantes, esclarecer o destino dos recursos e calcular o eventual prejuízo causado aos cofres públicos.

Os investigados poderão responder, conforme a responsabilidade individual, por corrupção ativa, corrupção passiva, peculato e associação criminosa. As suspeitas ainda serão analisadas durante a investigação e em eventual processo judicial.