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Sexualidade na terceira idade ganha espaço e acende alerta para ISTs entre idosos
Maior expectativa de vida mantém pessoas acima dos 60 anos mais ativas, mas também reforça a necessidade de prevenção, diagnóstico e diálogo sobre saúde sexual
O aumento da expectativa de vida tem mudado a forma como a sociedade enxerga a terceira idade. Com mais autonomia, relacionamentos e vida social, pessoas acima dos 60 anos também mantêm uma vida sexual ativa, cenário que exige atenção à prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Para Tiago Negrão, urologista e professor de Medicina da UniCesumar, a sexualidade faz parte da qualidade de vida durante o envelhecimento e precisa ser tratada sem preconceitos. Segundo ele, a intimidade não deve ser associada exclusivamente à juventude.
O avanço das ISTs entre idosos é um dos principais desafios. Dados do Ministério da Saúde apontam crescimento de 441% nos diagnósticos de HIV nessa população ao longo de uma década. O baixo uso de preservativos também aumenta a vulnerabilidade diante dessas infecções.
O etarismo pode dificultar a prevenção e o atendimento. Muitos idosos deixam de falar sobre a própria vida sexual por constrangimento, enquanto alterações como dificuldade de ereção ou dor podem ser atribuídas apenas à idade, sem investigação médica.
Segundo Negrão, problemas na função sexual também podem estar relacionados a doenças cardiovasculares, diabetes, alterações metabólicas ou efeitos colaterais de medicamentos. Por isso, mudanças nessa área devem ser discutidas com um profissional de saúde.
A prevenção precisa acompanhar essa nova realidade. Mesmo após a menopausa, quando deixa de existir o risco de gravidez, continuam as possibilidades de transmissão de HIV, sífilis, gonorreia, hepatites e outras ISTs. O uso de preservativo permanece uma importante medida de proteção.
O especialista defende que a saúde sexual seja abordada nas consultas de rotina com naturalidade. Para ele, idade, estado civil ou viuvez não permitem presumir que uma pessoa deixou de ter vida sexual, e o diálogo pode favorecer a prevenção e o diagnóstico precoce.
Negrão destaca que viver mais também significa prolongar os cuidados com a saúde sexual. A orientação médica, segundo ele, deve acompanhar as transformações da população idosa e contribuir para um envelhecimento com mais qualidade de vida.
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