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Estudo brasileiro aponta oito exoplanetas com potencial para vida

Análise avaliou mais de 6 mil exoplanetas e destacou oito mundos localizados em regiões consideradas potencialmente habitáveis

exoplanetas candidatos a ter vida - Fotos: Imagem ilustrativa gerada por IA / O Alagoano

RIO DE JANEIRO — Um estudo desenvolvido no Brasil identificou oito exoplanetas com características que podem favorecer a presença de água líquida e, consequentemente, condições compatíveis com o desenvolvimento de vida. Os corpos celestes estão fora do Sistema Solar e foram selecionados a partir de critérios semelhantes aos observados na Terra.

A análise examinou dados de mais de 6 mil exoplanetas, considerando fatores como raio, densidade, distância em relação à estrela e possíveis condições atmosféricas. O levantamento foi apresentado no Observatório Nacional durante a 6ª edição do Astrobion, evento dedicado à astrobiologia.

Um dos principais critérios usados foi a localização dos planetas na chamada zona habitável. A região recebe esse nome porque fica a uma distância da estrela capaz de permitir temperaturas não muito altas nem muito baixas, aumentando a possibilidade de existência de água em estado líquido.

Entre os oito objetos analisados, o GJ 1002 b foi apontado como o mais semelhante à Terra, com 98% de similaridade na classificação do estudo. O exoplaneta foi descoberto em 2022, está a aproximadamente 16 anos-luz do nosso planeta e orbita uma estrela anã-vermelha a cada 10,3 dias. Dados básicos sobre o corpo celeste estão disponíveis no catálogo de exoplanetas da Nasa.

Possibilidade não significa descoberta

A identificação de um planeta em uma região potencialmente habitável não significa que exista vida em sua superfície. O resultado indica apenas que determinadas condições físicas podem ser compatíveis com a presença de água e de processos biológicos.

Como esses mundos estão muito distantes, a investigação depende da observação da luz das estrelas que eles orbitam. Quando um planeta passa diante da estrela, telescópios conseguem analisar alterações na luz e buscar indícios sobre a composição de sua atmosfera.

Os cientistas procuram as chamadas bioassinaturas, que são moléculas ou combinações químicas associadas à vida na Terra. Mesmo assim, a presença de uma substância isolada não é suficiente para confirmar organismos extraterrestres, já que fenômenos geológicos e reações químicas também podem produzir compostos semelhantes.

Para aumentar a segurança da análise, os pesquisadores consideram necessário reunir diferentes evidências, como a repetição de moléculas em várias observações, a predominância de determinados tipos químicos e a distribuição de isótopos. A confirmação exigiria um conjunto consistente de sinais, e não apenas uma possível bioassinatura.

Busca também ocorre no Sistema Solar

A procura por ambientes capazes de abrigar vida não se limita aos exoplanetas. A missão Europa Clipper, da Nasa, deve chegar ao sistema de Júpiter em 2030 para estudar Europa, uma lua coberta por gelo que pode esconder um oceano de água salgada. A missão tem como objetivo investigar se o satélite reúne condições favoráveis à vida.

Outras missões também devem ampliar a busca por sinais biológicos em Marte, em Encélado e em Titã. Enquanto os exoplanetas permanecem fora do alcance de visitas, essas sondas podem permitir análises mais próximas de ambientes considerados promissores.