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Assassinatos de jornalistas chegam a 189 em dois anos, aponta relatório da Unesco

Número registrado em 2024 e 2025 é o maior em uma década; conflitos armados concentraram dois terços das mortes, enquanto 86% dos casos desde 2006 seguem sem solução

Microfones de imprensa - Fotos: Lula Marques/ Agência Brasil

Um levantamento divulgado nesta segunda-feira (2/11) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) contabilizou 189 jornalistas assassinados em 2024 e 2025. O total é o mais elevado desde o biênio 2014/2015, quando foram registradas 215 mortes.

Do total mais recente, 127 profissionais foram mortos em países envolvidos em conflitos, o equivalente a 67%. Segundo o relatório, 50 dessas mortes ocorreram em ataques com drones. Também houve registros de profissionais atingidos mesmo usando identificação de imprensa.

Fora das zonas de conflito, foram contabilizados 62 assassinatos, o menor número em 18 anos. As mortes ocorreram em diferentes circunstâncias, incluindo ataques em escritórios, veículos e residências. A pesquisa também identificou casos durante coberturas de manifestações e investigações sobre política, criminalidade e corrupção.

A Palestina concentrou o maior número de mortes no período, com 62 jornalistas assassinados. No Brasil, o levantamento registrou um caso: Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa, morto em maio de 2025, no estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba, no Pará. Quatro pessoas foram indiciadas.

O relatório também chama atenção para a impunidade. Desde 2006, 1.641 jornalistas foram assassinados no mundo, mas apenas 14% dos casos foram solucionados judicialmente. A Unesco calcula que 86% permanecem sem solução ou sem resposta das autoridades.