A Justiça fez Justiça? O preço da vida de Adriana Avelino

A sentença que condenou Leonaldo Ferreira levanta questionamentos sobre a proporcionalidade das penas e o verdadeiro valor da Justiça

Protesto pede urgência na resolução do caso Adriana em União dos Palmares - Fotos: Gustavo Lopes/O Alagoano

A condenação do motorista Leonaldo Ferreira de Melo pelo atropelamento e morte da ciclista Adriana Avelino da Silva levanta um debate importante sobre a proporcionalidade das penas no Brasil. Com a decisão da Justiça de Alagoas, ele cumprirá sua pena por meio de serviços comunitários e pagamento de indenização à família da vítima. Mas essa medida realmente faz justiça?

Uma mulher, de 33 anos e mãe de dois filhos, perdeu a vida de forma brutal. O motorista fugiu do local sem prestar socorro e só apenas no dia seguinte percebeu a gravidade do que havia feito. Para a Justiça, o crime foi culposo, não intencional. Mas como ignorar a omissão de socorro, o medo de “pagar sem dever” enquanto uma pessoa agonizava no asfalto?

O que essa decisão transmite à sociedade? Que vidas podem ser negociadas? Que a dor de uma família se resolve com 30 salários-mínimos? Que fugir e não socorrer uma vítima é um erro menor? A família de Adriana não teve escolha: perdeu o sustento das crianças e ficou com o vazio deixado pela ausência. O Estado, por outro lado, deu ao condenado a opção de continuar sua vida sem cumprir um dia sequer de prisão.

A decisão, para muitos, pode parecer correta dentro dos trâmites legais. Mas o que dizer do impacto moral e social? A mensagem que fica é a de impunidade disfarçada de responsabilidade penal. O preço da vida de Adriana foi estabelecido, mas a justiça para sua família, essa, nunca chegará. Com a resposta, a própria Justiça.

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