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Empresário investigado por incêndio em apartamento da ex-namorada tem prisão decretada em Maceió

Marcello Gusmão foi indiciado por tentativa de homicídio, violência psicológica, dano e incêndio; defesa nega acusações e questiona versão da polícia

Marcello Gusmão de Aguiar Vitório, o empresário investigado pelo incêndio em um apartamento no bairro de Ponta Verde - Fotos: Reprodução

A Polícia Civil de Alagoas (PCAL), por meio do Núcleo Especializado no Atendimento à Mulher (NEAM), confirmou que a Justiça decretou a prisão preventiva do empresário Marcello Gusmão de Aguiar Vitorio. A decisão foi tomada pelo 1º Juizado de Violência Doméstica, após representação do NEAM. Ele é investigado pelo incêndio que destruiu o apartamento da ex-namorada, a empresária Mariana Maia, no último sábado (8/2), no bairro de Ponta Verde, em Maceió.

Na manhã desta quinta (13), equipes da Polícia Civil, sob a coordenação das delegadas Ana Luiza Nogueira e Paula Mercês, cumpriram mandados de busca nos endereços do empresário, mas não o localizaram. Com isso, Marcello foi declarado foragido. Após depoimentos de diversas testemunhas, ele foi indiciado pelos crimes de tentativa de homicídio, violência psicológica, dano e incêndio.

Investigação e defesa

De acordo com a denúncia, o incêndio teria sido provocado intencionalmente pelo empresário. Câmeras de segurança registraram a presença dele no edifício minutos antes de as chamas começarem.

Em entrevista concedida na tarde da última quarta-feira (12), Marcello Gusmão negou qualquer envolvimento no caso e afirmou que é inocente. Ao lado do advogado Welton Roberto, ele rebateu a versão apresentada pela ex-namorada e alegou que não tentou impedir sua viagem para a Europa.

"Se eu não quisesse que ela viajasse, seria a coisa mais simples impedir ela de viajar, seria cancelar essa passagem. Tudo ocorreu porque eu não iria viajar. Eu expliquei à mãe dela, tem mensagem no WhatsApp. Eu fiz ata notarial de tudo isso, de todo o porquê que eu não tinha como viajar", declarou o empresário.

O advogado de defesa criticou a condução do caso e questionou a tipificação da ocorrência como tentativa de feminicídio. "Não há motivo algum para a gente falar em prisão. Logicamente que vamos aguardar. Já ouvi tanta besteira... 'Tentativa de feminicídio', por exemplo, foram dizer. Como é tentativa de feminicídio, se não existia Mariana no apartamento no momento em que ele estava lá?", afirmou Roberto.

Versão do empresário

Marcello relatou ainda que foi até o apartamento da ex-namorada na madrugada do incêndio para buscar pertences pessoais, como roupas, escova de dente e um carregador de celular. Segundo ele, chegou a avisar ao irmão de Mariana que estava pegando seus itens antes de deixar o local.

"A mala, ela deixou na portaria, mas eu tinha ido no apartamento antes, às 4h da tarde, e tinha roupas minhas no varal. [...] Eu bati na porta, ele estava dormindo com outra pessoa, avisei a ele que estava pegando minhas coisas. Ele meio que estava dormindo, respondeu 'tá certo', e eu saí. Fechei a porta, recolhi minhas coisas e saí do apartamento", afirmou.