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Casal encontrado morto em Igaci: perícia confirma intoxicação acidental por monóxido de carbono
Laudos apontam falha mecânica no veículo e descartam hipótese de homicídio; delegado deve concluir o inquérito como morte acidental
Um dos casos que mais chocaram os moradores de Igaci, no Agreste alagoano, chegou a uma conclusão. As perícias criminais realizadas sobre o casal encontrado morto dentro de um carro, em 14 de setembro, confirmaram que as mortes foram acidentais, causadas pela inalação de monóxido de carbono (CO) — um gás tóxico, incolor e inodoro.
Os resultados das investigações foram apresentados durante uma coletiva de imprensa na sede do Instituto de Criminalística de Maceió (ICM). As vítimas, Larissa Viana dos Santos e José Jadilson, ambos de 19 anos, morreram por asfixia provocada pela intoxicação com CO, segundo confirmaram os peritos.
A perita criminal Daniele Araújo descartou a hipótese de homicídio, destacando que não havia sinais de violência nem indícios de ação de terceiros. A análise teve início no Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca, onde o perito médico-legista Carlos Alexandre Hora identificou, a partir da inspeção e exames laboratoriais, que Larissa foi vítima de asfixia decorrente da exposição ao gás.
Para garantir precisão, foram colhidas amostras de sangue, conteúdo estomacal, urina e humor vítreo, analisadas pela perita Lívia Rocha, no Laboratório Forense do ICM. Segundo ela, o exame confirmou a presença de 49,6% de carboxiemoglobina no sangue de Larissa — nível considerado altamente tóxico e potencialmente fatal. A análise também descartou o consumo de álcool ou outras substâncias.
José Jadilson chegou a ser socorrido com vida, o que, de acordo com os peritos, explica a ausência de marcadores laboratoriais de intoxicação em suas amostras. Ele, no entanto, não resistiu e faleceu pouco depois, vítima dos mesmos efeitos do gás.
A última etapa da investigação foi a análise técnica do veículo, um Volkswagen Fox (placa NME-8494), conduzida pelo perito Nivaldo Gomes Cantuária. Ele utilizou um detector de multigás para medir a concentração de monóxido de carbono no interior do carro. O equipamento registrou 39 partes por milhão (PPM) de CO após 23 minutos com o motor ligado, e os níveis continuavam subindo.
O laudo apontou que o vazamento estava localizado entre o coletor e o tubo de escape, possivelmente causado por ruptura na junta de vedação. O gás se acumulava no compartimento do motor e era conduzido pelos dutos de ventilação até o interior do veículo.
De acordo com o chefe especial do ICM, Charles Mariano, os laudos confirmam que a morte foi acidental, provocada por asfixia devido à inalação de monóxido de carbono em circunstâncias compatíveis com uma falha mecânica e exposição prolongada dentro do carro.
Durante a coletiva, o delegado Antônio Edson, responsável pela investigação, informou que, com os laudos em mãos, a Polícia Civil deve concluir o inquérito nos próximos dias. Segundo ele, familiares e testemunhas serão ouvidos, e o inquérito será finalizado com pedido de arquivamento, já que o caso será caracterizado como morte acidental.
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