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Corrupção na gestão Paulo Dantas: PF deflagra operação contra desvios milionários na Sesau

Operação Estágio IV investiga contratos emergenciais, desvio de recursos do SUS e esquema de lavagem de dinheiro que pode chegar a quase R$ 100 milhões em Alagoas

Polícia Federal - Fotos: Assessoria

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (16/12), a operação denominada Estágio IV, com o cumprimento de 38 mandados de busca e apreensão e a aplicação de diversas medidas cautelares alternativas. Entre elas, está a suspensão do exercício de função pública por 180 dias. Todas as ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região.

Além das buscas, a Justiça determinou o sequestro de bens pertencentes aos investigados, incluindo veículos e imóveis de alto valor. A investigação conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), da Receita Federal e do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os mandados foram cumpridos em Alagoas, Pernambuco e no Distrito Federal, mobilizando 170 policiais federais e 26 auditores. Segundo a apuração, há indícios de favorecimento em contratos emergenciais firmados pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) entre os anos de 2023 e 2025. As contratações envolveriam duas empresas, sendo uma fornecedora de material hospitalar e outra do setor de construção, e teriam resultado no pagamento de vantagens indevidas aos investigados.

As contratações diretas realizadas pela Sesau somam quase R$ 100 milhões, com parte significativa dos recursos ainda em fase de execução. A investigação também apura o desvio de verbas públicas do SUS por meio de ressarcimentos considerados superdimensionados de consultas e procedimentos médicos que, segundo os indícios, não teriam sido realizados. Esses valores ultrapassam R$ 18 milhões e foram repassados pela Secretaria de Saúde entre setembro de 2023 e agosto de 2025.

De acordo com o inquérito, apenas os pagamentos referentes a procedimentos de fisioterapia apresentaram valores incompatíveis com a capacidade operacional da clínica privada envolvida. Parte dos recursos teria sido destinada a integrantes do grupo criminoso por meio de transferências bancárias, saques em espécie e pagamentos indiretos, caracterizando um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

As investigações apontam ainda o uso de interpostas pessoas para ocultar a origem ilícita dos valores, principalmente na aquisição de imóveis. O dinheiro público que deveria ser aplicado no sistema de saúde alagoano teria sido transferido para contas bancárias dos investigados e de pessoas ligadas a eles.

O inquérito identificou que imóveis adquiridos pelo grupo foram registrados em nome de familiares e terceiros. Entre os bens está uma pousada localizada no município de Porto de Pedras, em Alagoas, adquirida em 2023 pelo valor de R$ 5,7 milhões, paga por empresários beneficiados pelo esquema. Os recursos também teriam sido utilizados para custear viagens internacionais e despesas pessoais dos investigados.

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu quantias significativas de dinheiro em espécie, em moeda nacional e estrangeira, além de duas armas de fogo. O nome da operação faz referência ao estágio terminal de alguns tipos de câncer, em alusão ao impacto considerado grave das ações investigadas sobre o sistema público de saúde em Alagoas.