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Mortes de mulheres crescem 31,8% em Alagoas e interrompem tendência de queda da violência de gênero

Dados do Neac/SSP apontam 29 casos em 2025; aumento em relação a 2024 acende alerta para falhas na prevenção e ausência de denúncias prévias

Vítima de violência - Fotos: Reprodução/Ilustração

O número de mortes de mulheres associadas à violência doméstica, familiar ou por razões da condição de gênero registrou aumento significativo em Alagoas em 2025. De acordo com dados do Núcleo de Estatística e Análise Criminal (Neac), vinculado à Secretaria da Segurança Pública (SSP), foram contabilizados 29 casos ao longo do ano, o que representa um crescimento de 31,8% em relação a 2024, quando houve 22 registros.

O avanço interrompe uma trajetória de redução observada no recorte histórico mais amplo. Em comparação com 2016, primeiro ano após a tipificação do feminicídio no Brasil, quando foram registrados 37 casos, o total atual ainda é 21,6% menor. Ainda assim, o aumento recente preocupa as autoridades por indicar recrudescimento da violência e dificuldades na atuação preventiva.

Um dado considerado crítico pelas forças de segurança é que, em todos os casos registrados em 2025, não havia denúncia formal anterior contra os agressores. A ausência de registros prévios reforça o cenário de violência silenciosa e aponta para a necessidade de ampliar mecanismos de identificação de risco, além de estimular o acesso das vítimas aos canais de proteção nos primeiros sinais de ameaça ou agressão.

No enfrentamento ao problema, a SSP destaca a intensificação das ações repressivas. Somente em 2025, mais de 2.600 homens foram presos em Alagoas por crimes relacionados à violência doméstica e feminicídio, seja em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais. Mais de mil dessas prisões ocorreram na Região Metropolitana de Maceió, evidenciando a concentração dos casos e a atuação contínua das forças de segurança.