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Rio Largo recebeu quase R$ 100 milhões em emendas parlamentares e acumula obras inacabadas

Reportagem exibida em rede nacional relaciona município à Operação Overclean, que apura suspeitas de desvios de recursos públicos ligados ao orçamento secreto

Rio Largo volta ao foco de investigação nacional sobre uso de emendas e obras inacabadas - Fotos: Reprodução

O município de Rio Largo, na Região Metropolitana de Maceió, voltou a ser citado em uma apuração de repercussão nacional envolvendo suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares. A investigação integra a Operação Overclean, da Polícia Federal, que já se encontra na 9ª fase e apura possíveis desvios de verbas, incluindo recursos associados ao chamado orçamento secreto.

De acordo com informações repercutidas após exibição no programa Fantástico, da TV Globo, Rio Largo recebeu quase R$ 100 milhões em emendas parlamentares nos últimos seis anos. Apesar do volume expressivo de recursos, o município ainda enfrenta problemas estruturais graves, como saneamento básico deficiente, moradias em condições precárias e um histórico de obras inacabadas ou com falhas na execução.

Um dos pontos destacados foi o volume destinado à saúde. Somente o Fundo Municipal de Saúde recebeu cerca de R$ 64 milhões em emendas, mas, ainda assim, unidades básicas de saúde permaneceram fechadas por quase um mês durante a virada do ano, o que levantou questionamentos sobre a efetividade da aplicação desses recursos.

Entre os exemplos citados está a Estrada das Canas, que recebeu uma emenda de aproximadamente R$ 6 milhões, atribuída ao deputado federal Arthur Lira (PP-AL). Embora a pavimentação tenha sido realizada, trechos da via apresentaram afundamento do asfalto pouco tempo após a obra. Em manifestação pública, o parlamentar afirmou que etapas complementares, como a remoção de postes, não teriam sido executadas e que haveria recursos previstos para a conclusão total do serviço.

O histórico recente do município também inclui investigações anteriores. Em 2022, o então prefeito Gilberto Gonçalves foi preso durante a Operação Beco da Pecúnia, que apurou desvios em contratos da prefeitura. Na ocasião, a investigação apontou que valores de propina eram distribuídos em um beco nas proximidades da sede do Executivo municipal. Apesar disso, Gilberto reassumiu o cargo posteriormente e concluiu o mandato.

As suspeitas envolvendo Rio Largo não aparecem de forma isolada. Outras operações recentes da Polícia Federal e auditorias citadas em apurações sobre emendas parlamentares e contratos ligados ao DNOCS indicam possíveis casos de superfaturamento e de serviços não executados, especialmente em obras de pavimentação. Em alguns desses casos, os prejuízos estimados são milionários, com autorizações de mandados expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).