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Operação da PF sobre corrupção na Saúde podem implicar Alexandre Ayres? Entenda

Investigação federal alcança contratos firmados a partir de 2023; ex-secretário deixou o cargo em 2022 e não aparece entre os alvos iniciais

Alexandre Ayres e Sesau - Fotos: Reprodução

A operação da Polícia Federal (PF) que apura suspeitas de corrupção em contratos da saúde pública de Alagoas levantou dúvidas sobre a possível responsabilização de ex-gestores da pasta. Entre os nomes questionados está o do ex-secretário Alexandre Ayres. Até agora, porém, ele não figura como investigado no inquérito.

Isso ocorre porque a investigação aberta pela PF tem como recorte inicial contratos e pagamentos realizados entre 2023 e 2025. Alexandre Ayres comandou a Secretaria de Estado da Saúde até 2022, portanto antes do período que motivou as medidas judiciais já cumpridas.

Na fase ostensiva da operação, deflagrada em 16 de dezembro de 2025, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diferentes endereços e recolhidos celulares, notebooks, documentos e mídias digitais. Esse material ainda passa por análise técnica e pode ampliar ou não o alcance temporal das apurações.

Até o momento, as suspeitas divulgadas concentram-se em contratações emergenciais e em repasses relacionados a procedimentos médicos realizados depois de 2023. Foi nesse contexto que houve o afastamento cautelar do então secretário de Saúde em exercício, Gustavo Pontes.

O fato de Ayres não aparecer entre os citados se deve exclusivamente ao intervalo investigado. Não há, até agora, qualquer indicação pública de envolvimento dele nos fatos descritos pela Polícia Federal.

Por outro lado, a própria natureza de investigações desse tipo permite desdobramentos. Caso a perícia em equipamentos e documentos apreendidos revele indícios de práticas semelhantes em anos anteriores, a Polícia Federal pode aprofundar a apuração e retroceder na linha do tempo.

Isso significa que um ex-gestor só passaria a ser formalmente implicado se surgirem provas concretas ligando sua gestão a irregularidades do mesmo esquema. Sem esse tipo de elemento, o foco permanece nos atos administrativos realizados a partir de 2023.

Portanto, no cenário atual, Alexandre Ayres não é alvo da operação porque o período sob investigação começou após sua saída do cargo. Qualquer mudança dependerá exclusivamente do que for encontrado nas análises em andamento do material apreendido.