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Perda gestacional afeta saúde mental; veja sinais de alerta e quando buscar ajuda
Tristeza e sofrimento fazem parte do processo de luto, mas sintomas persistentes, isolamento e dificuldade para retomar a rotina exigem atenção profissional
ALAGOAS — A perda de uma gestação pode provocar um impacto emocional profundo e exige atenção não apenas à recuperação física, mas também à saúde mental da mulher e da família. Especialistas alertam que sentimentos como tristeza intensa, culpa, vazio, ansiedade e dificuldade para dormir podem surgir após a interrupção inesperada da gravidez.
O sofrimento nos primeiros dias ou semanas faz parte do processo de luto e, isoladamente, não significa a existência de um transtorno psiquiátrico. O alerta surge principalmente quando os sintomas permanecem por várias semanas, pioram ou começam a impedir atividades básicas, como trabalhar, dormir, comer e manter contato com outras pessoas.
Sinais que merecem atenção após uma perda gestacional
- tristeza intensa que não apresenta melhora;
- dificuldade para dormir ou insônia persistente;
- crises frequentes de ansiedade ou pânico;
- isolamento de familiares e amigos;
- sentimento excessivo de culpa ou fracasso;
- perda do interesse pelas atividades do dia a dia;
- dificuldade para retomar a rotina;
- pensamentos recorrentes sobre morte ou desejo de não viver.
Por que a perda gestacional pode afetar tanto a saúde mental?
Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a perda gestacional é um evento potencialmente traumático. Além da interrupção da gravidez, existe a perda de expectativas, planos e vínculos que começaram a ser construídos desde a descoberta da gestação.
A intensidade do luto não deve ser medida apenas pelo tempo de gravidez. Uma perda nas primeiras semanas também pode causar sofrimento profundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o aborto espontâneo e a morte fetal ainda são cercados por estigma, culpa e silêncio, o que pode dificultar a procura por apoio.
Quando procurar ajuda psicológica após uma perda gestacional?
Especialistas recomendam observar principalmente a duração e a intensidade dos sintomas. Quando a mulher não consegue retomar a rotina, deixa de comer, enfrenta insônia persistente, permanece isolada ou apresenta sofrimento intenso durante várias semanas, uma avaliação psicológica ou psiquiátrica pode ser necessária.
De acordo com a Febrasgo, algumas mulheres apresentam maior risco de desenvolver quadros como depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático ou luto prolongado. Entre os fatores associados estão histórico anterior de transtornos mentais, perdas gestacionais recorrentes, infertilidade, ausência de rede de apoio e experiências traumáticas durante o atendimento médico.
Como familiares e amigos podem ajudar no luto gestacional?
O acolhimento é considerado uma das principais formas de apoio. Familiares e amigos devem evitar minimizar a perda com frases que sugiram uma nova gravidez como substituição daquela que terminou. Ouvir sem julgamento, reconhecer a dor e respeitar o tempo de cada pessoa pode fazer diferença durante o processo de recuperação.
A OMS também recomenda permitir que a pessoa fale sobre seus sentimentos e orientar a busca por apoio profissional quando necessário. O acompanhamento pode envolver ginecologista ou obstetra, psicólogo e, em situações específicas, psiquiatra e outros profissionais da rede de saúde.
Onde buscar ajuda pelo SUS?
Quem enfrenta sofrimento emocional pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Esses serviços integram a Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde (SUS) e podem avaliar cada situação e indicar o acompanhamento adequado.
Em situações de crise ou risco imediato, também podem ser procurados UPA, pronto-socorro, hospital ou o Samu pelo telefone 192. Pessoas que estejam enfrentando pensamentos de morte ou precisem conversar podem procurar ainda o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo número 188, com ligação gratuita.
Profissionais de saúde também têm papel importante no acolhimento
A atenção à saúde mental deve começar ainda durante o atendimento relacionado à perda. Para especialistas, uma comunicação clara, respeitosa e cuidadosa ajuda a reduzir sentimentos de abandono, culpa e insegurança. Identificar precocemente sinais de sofrimento intenso permite iniciar o acompanhamento antes que o quadro se agrave.
A orientação reforçada durante o Setembro Amarelo é que a mulher não precisa enfrentar o processo sozinha. O luto pode assumir formas diferentes para cada pessoa, mas sofrimento persistente ou incapacidade de continuar as atividades cotidianas deve ser tratado como um sinal para buscar ajuda especializada.
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