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Coletivo denuncia homicídio de Gabriel Lincoln e alerta para violência contra jovens negros

Fórum Popular de Segurança Pública de Alagoas reforça preocupação com desigualdade racial e exige responsabilização dos envolvidos

Gabriel Lincoln Pereira de 16 anos foi morto no dia 3 de maio - Fotos: Divulgação

O Fórum Popular de Segurança Pública de Alagoas (FPSP/AL) divulgou nota pública nesta quinta-feira (28) em solidariedade à família de Gabriel Lincoln, adolescente negro vítima de homicídio durante abordagem policial. O fórum questiona a narrativa inicial de “reação” apresentada pelas autoridades, apontando indícios de arma implantada e disparo acidental, hipóteses agora revisadas pelo Ministério Público diante das evidências que indicam possível homicídio intencional.

O FPSP/AL ressalta que, apesar da redução de 8,4% nos homicídios em Alagoas no primeiro semestre de 2025, a violência continua de forma desproporcional contra a juventude negra. Dados do Atlas da Violência 2025 mostram que, em 2023, 98,8% das vítimas de homicídio no estado eram negras. O IVJ-2024 indica que jovens negros têm 26,9 vezes mais risco de serem assassinados do que jovens brancos, e uma pessoa negra apresenta 47,8 vezes mais chance de sofrer homicídio em comparação a uma pessoa não negra em Alagoas.

O fórum enfatiza que a redução geral da criminalidade não se reflete na proteção da população negra, especialmente de jovens periféricos, e alerta para a necessidade de enfrentar a desigualdade estrutural. Segundo o FPSP/AL, é urgente construir políticas de segurança pública com participação popular, que priorizem a vida, a dignidade e a paz nas comunidades mais vulneráveis.

O FPSP/AL reafirma seu compromisso com a responsabilização dos envolvidos, justiça para as vítimas e implementação de políticas públicas equitativas que assegurem o direito à vida, mantendo vigilância e mobilização contínua para reduzir a violência estrutural no estado.

Confira a nota na íntegra:

"O Fórum Popular de Segurança Pública de Alagoas (FPSP/AL) expressa sua consternação e solidariedade à família de Gabriel Lincoln, adolescente negro vítima de homicídio durante abordagem policial. A narrativa inicial de “reação” foi derrubada pelo inquérito, que demonstrou indícios de arma implantada e alegação de disparo acidental — hipóteses agora questionadas pelo Ministério Público, o que consideramos necessário e acertado diante das evidências que apontam para homicídio intencional.

Embora Alagoas registre uma queda nos índices gerais de criminalidade — com redução de 8,4% nos homicídios no 1º semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024 (562 para 515 casos) —, essa redução não é uniforme. A juventude negra continua desproporcionalmente exposta à morte violenta.

Segundo o Atlas da Violência 2025, em 2023, 98,8% das vítimas de homicídio em Alagoas eram negras. Dados do IVJ-2024 revelam que os jovens negros têm 26,9 vezes mais risco de serem assassinados que os jovens brancos no estado. Em termos de risco relativo geral, uma pessoa negra tem 47,8 vezes mais chance de ser vítima de homicídio que uma pessoa não negra em Alagoas.

Diante desses números, é evidente que a redução geral da violência não se aplica à população negra, especialmente à juventude periférica. O FPSP/AL reafirma sua atuação como espaço coletivo — conectando organizações do estado e da região Nordeste — para denunciar essa desigualdade estrutural e demandar um modelo de segurança pública construído com participação popular e que priorize a vida, dignidade e paz nas comunidades.

Seguiremos vigilantes e mobilizados por justiça, responsabilização dos envolvidos e por políticas que garantam, de forma equitativa, o direito à vida.

Fórum Popular de Segurança Pública de Alagoas (FPSP/AL)"