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Operação com atuação de Alagoas resulta em condenação do maior traficante de aves do país

Justiça impõe pena de 18 anos de prisão após investigação que desarticulou organização criminosa especializada no tráfico de animais silvestres

Justiça condena maior traficante de aves do país a 18 anos de prisão - Fotos: Assessoria

A Justiça da Bahia condenou a 18 anos de prisão Weber Sena Oliveira, conhecido como “Paulista”, apontado pelas investigações como o maior traficante de aves silvestres do Brasil. A decisão judicial é resultado da Operação Fauna Protegida, conduzida de forma integrada pelos Ministérios Públicos de Alagoas (MPAL) e da Bahia (MPBA), que revelou um esquema criminoso estruturado e de longa duração contra o meio ambiente.

Preso preventivamente desde setembro de 2025, “Paulista” foi responsabilizado pelos crimes de organização criminosa, tráfico de animais silvestres, maus-tratos com resultado morte, lavagem de capitais e receptação qualificada. Além dele, também foram condenados Ivonice Silva e Silva, companheira do acusado e apontada como operadora financeira do grupo, e outros cinco integrantes identificados como participantes diretos da organização.

As investigações tiveram início após a prisão de Weber Sena Oliveira em janeiro de 2025, quando ele foi flagrado durante uma abordagem policial na BR-101, no sul da Bahia, transportando ilegalmente 135 aves silvestres. O episódio colocou o investigado no centro das apurações conduzidas pelo MPAL e MPBA, que avançaram para identificar a estrutura, os fluxos financeiros e a abrangência nacional da atuação criminosa.

Segundo o Ministério Público, a organização atuava na captura, manutenção em cativeiro e transporte clandestino de aves silvestres para diferentes regiões do país, com destaque para os mercados do Nordeste e Sudeste. A prática ilegal teria ocorrido por mais de 30 anos, provocando danos ambientais expressivos e contínuos.

As apurações também identificaram um robusto esquema de lavagem de dinheiro. Em apenas seis meses, entre fevereiro e agosto de 2023, quase R$ 500 mil foram movimentados em contas ligadas à companheira de “Paulista”, provenientes da comercialização de grandes carregamentos de aves, que chegavam a ultrapassar mil animais por remessa.

Entre as espécies traficadas estavam canários, papa-capins, trinca-ferros, azulões e pássaros-pretos, capturados com armadilhas e redes extensas capazes de apreender centenas de animais em um único dia. De acordo com dados utilizados na investigação, a maioria dos animais não resistia ao transporte, morrendo em razão de maus-tratos, estresse e condições precárias.

Estudos técnicos anexados ao processo também permitiram identificar uma rota recorrente do tráfico, ligando o sudeste da Bahia e o nordeste de Minas Gerais ao Rio de Janeiro, evidenciando a dimensão interestadual do esquema criminoso combatido pela operação com participação direta de Alagoas.