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Dinheiro de corrupção na Sesau comprou pousada de R$ 5,7 milhões em Porto de Pedras, aponta PF
Imóvel de alto padrão teria sido adquirido com recursos desviados da saúde e ocultado em nome de terceiros durante esquema investigado pela Polícia Federal
A Polícia Federal (PF)l identificou que recursos oriundos de um esquema de corrupção investigado na Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) foram utilizados para a compra de uma pousada de alto padrão no município de Porto de Pedras, no Litoral Norte do estado. O imóvel foi adquirido em 2023 pelo valor de R$ 5,7 milhões e, segundo o inquérito, teve o pagamento realizado por empresários beneficiados pelo esquema criminoso.
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De acordo com a investigação, a pousada foi registrada em nome de interpostas pessoas, familiares e terceiros, como forma de ocultar a origem ilícita do dinheiro. A aquisição do imóvel é apontada como um dos principais exemplos do uso de recursos públicos desviados da saúde para a formação de patrimônio privado dos investigados.
A identificação do imóvel ocorreu no âmbito da operação Estágio IV, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (16/12). A ação cumpriu 38 mandados de busca e apreensão e aplicou diversas medidas cautelares alternativas, incluindo a suspensão do exercício de função pública por 180 dias, todas determinadas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região.
Além das buscas, a Justiça autorizou o sequestro de bens de alto valor pertencentes aos investigados, como veículos e imóveis. A operação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), da Receita Federal e do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (SUS), mobilizando 170 policiais federais e 26 auditores em Alagoas, Pernambuco e no Distrito Federal.
Segundo a apuração, há indícios de favorecimento em contratos emergenciais firmados pela Sesau entre 2023 e 2025, envolvendo duas empresas — uma fornecedora de material hospitalar e uma construtora. As contratações diretas somam quase R$ 100 milhões, com parte relevante dos recursos ainda em execução.
A Polícia Federal também apura o desvio de verbas do SUS por meio de ressarcimentos considerados superdimensionados de consultas e procedimentos médicos que não teriam sido realizados. Esses repasses ultrapassam R$ 18 milhões e ocorreram entre setembro de 2023 e agosto de 2025. Apenas os pagamentos relacionados a procedimentos de fisioterapia apresentaram valores incompatíveis com a capacidade operacional da clínica privada envolvida.
Parte dos recursos desviados teria sido distribuída por meio de transferências bancárias, saques em espécie e pagamentos indiretos, caracterizando um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu grandes quantias de dinheiro em moeda nacional e estrangeira, além de duas armas de fogo.
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