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Governador tenta "lacrar" com telemedicina enquanto pacientes denunciam caos no HGE
Aplicativo promete modernização do atendimento, mas relatos apontam isolamento, lesões e precariedade no maior hospital de Maceió
A divulgação do programa estadual de teleconsultas pelo governador Paulo Dantas, apresentada nas redes sociais como avanço tecnológico e solução para agilizar atendimentos médicos, acabou sendo ofuscada por denúncias graves envolvendo o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió. Enquanto o governo celebra consultas digitais e atendimento via aplicativo, relatos de pacientes e familiares apontam cenário de precariedade, suposta negligência e falta de estrutura na principal unidade hospitalar de alta complexidade de Alagoas.
No vídeo publicado em 10 de fevereiro de 2026, o chefe do Executivo afirma que o aplicativo Saúde Até Você Digital permite consultas e encaminhamentos médicos diretamente pelo celular, sem burocracia e sem custos para o usuário. A proposta foi apresentada como exemplo de modernização e resolutividade do sistema público de saúde.
Em sentido oposto, vídeos divulgados nas redes sociais mostram o drama de Nailson, motorista de aplicativo internado no HGE desde janeiro após sofrer uma queda grave. Segundo denúncias, ele teria adquirido uma bactéria durante a internação e foi colocado em isolamento. Familiares e pessoas próximas relatam que profissionais evitariam entrar na ala, além de apontarem falta de medicamentos, demora em procedimentos, ausência de materiais cirúrgicos e deficiência em cuidados básicos.
As acusações também mencionam o surgimento de lesões por pressão e longos períodos sem assistência adequada, o que teria agravado o quadro clínico do paciente. Em depoimentos emocionados, a denunciante descreve o hospital como um ambiente de “calamidade”, afirmando que promessas de melhoria teriam sido feitas pela direção da unidade sem resultados concretos.
O contraste entre o discurso institucional e a realidade denunciada ocorre em meio ao escândalo da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), alvo da Operação Estágio IV, da Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de irregularidades em contratos que somam quase R$ 100 milhões, além de indícios de pagamentos por consultas e procedimentos que não teriam sido realizados, com prejuízo milionário ao SUS. Mesmo após mudanças administrativas na pasta, as apurações seguem em andamento e mantêm pressão sobre o governo estadual.
Procurados por veículos de imprensa em diferentes ocasiões recentes, representantes do governo estadual têm reiterado compromisso com a transparência e afirmado colaborar com órgãos de controle. Já sobre as denúncias específicas envolvendo o HGE, até o fechamento desta reportagem a Sesau não havia respondido nossas mensagens.
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