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Desaparecimentos de pessoas crescem no Brasil e Alagoas integra Cadastro Nacional

Em 2025, 84.760 casos foram registrados no país; especialistas apontam subnotificação e desafios na política de buscas

São Paulo (SP) 30/08/2024 - Uma ação destinada à conscientizar a população sobre pessoas desaparecidas, foi organizada na Praça da Sé - Fotos: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Brasil registrou 84.760 casos de desaparecimento de pessoas em 2025, média de 232 sumiços por dia, um aumento de 4,1% em relação a 2024, quando foram contabilizados 81.406 casos. Alagoas é um dos estados que integra atualmente o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, criado em 2025, sete anos após a sanção da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas.

Os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) indicam que, apesar da criação da política em 2019, o problema segue em expansão. O objetivo da legislação é articular ações entre órgãos de segurança, saúde e assistência social para agilizar a localização de pessoas desaparecidas.

Segundo Simone Rodrigues, coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (ObDes/UnB), os números oficiais não refletem a complexidade do problema. “As dinâmicas dos casos de desaparecimento são complexas e diversas. Para compreendê-las, é preciso levar em conta as várias formas de violência que muitas vezes estão envolvidas, como o feminicídio, tráfico de pessoas, trabalho análogo à escravidão, LGBTQfobia e a ocultação de cadáveres”, afirmou.

Crianças e adolescentes são parte expressiva dos casos

Quase um terço (28%) dos desaparecimentos registrados no país em 2025 envolve pessoas com menos de 18 anos. Foram 23.919 ocorrências no segmento infantojuvenil, alta de 8% em relação a 2024. Entre os casos envolvendo crianças e adolescentes, 62% são meninas, enquanto entre o total de desaparecidos, os homens representam 64%.

“Muitas dessas crianças e adolescentes estão fugindo de contextos de violência intra-familiar e, nestes casos, os agentes do Estado precisam ter a sensibilidade de não voltar a expor elas a este contexto. Ao mesmo tempo, não podem generalizar, porque nem todos os casos são assim. Não importa a causa. O Estado tem a obrigação de buscar a qualquer pessoa desaparecida, principalmente crianças e adolescentes. Sem incorrer em estereótipos ou prejulgar o responsável que vai registrar o desaparecimento”, disse Simone.

Alagoas e a integração ao Cadastro Nacional

Entre as 12 unidades da federação que já estão integradas ao Cadastro Nacional estão Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. O cadastro visa apoiar investigações e cruzar informações entre estados, embora a especialista ressalte que ainda há fragmentação de dados: “Apesar de alguns avanços, ainda é tudo muito fragmentado. Não temos uma carteira de identidade nacional e nossos dados biométricos são separados por estados, mas as delegacias não conversam entre si; o Ministério Público não conversa com outro estado.”

O Ministério da Justiça e Segurança Pública reconhece que a subnotificação dificulta a interpretação dos números e destaca que o aumento de 4% em relação a 2024 “não significa, necessariamente, um crescimento real dos casos”. A pasta reforça o esforço em capacitar profissionais das polícias civis, coletar material genético de familiares de desaparecidos e expandir a adesão dos estados ao Cadastro Nacional, com expectativa de integrar todas as unidades federativas ainda no primeiro semestre de 2026.