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Quilombo será o primeiro do Brasil a receber tombamento histórico do Iphan

Reconhecimento inaugura novo livro de registro voltado à preservação de territórios quilombolas e marca avanço na valorização da memória negra no país

O Quilombo Tia Eva inaugura o novo Livro do Tombo dedicado aos quilombos - Fotos: Bruna Costa Dias/Iphan

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vai declarar a Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, conhecida como Quilombo Tia Eva, como patrimônio histórico. Com a medida, o território se tornará o primeiro quilombo oficialmente tombado no Brasil.

A declaração ocorrerá durante a 112ª reunião do Conselho Consultivo do Iphan, que será realizada no Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro. O reconhecimento também inaugura o novo Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, criado para registrar e preservar territórios quilombolas no país.

Segundo o presidente do Iphan, Leandro Grass, o tombamento representa um gesto importante de reparação histórica e valorização das comunidades quilombolas. Ele destacou que o processo foi construído com a participação direta dos moradores, que tiveram papel fundamental no reconhecimento do território.

A arquiteta Rayssa Almeida Silva, moradora da comunidade e integrante da associação local, participou do resgate histórico realizado em parceria com técnicos do instituto. Para ela, o reconhecimento ajuda a preservar a memória dos antepassados e também incentiva as novas gerações a conhecerem a história do quilombo.

O processo de tombamento foi iniciado em 2024 após estudos técnicos e debates entre o Iphan e a comunidade. A iniciativa segue o que determina a Constituição Federal de 1988, que reconhece o valor histórico e cultural dos territórios que guardam reminiscências de antigos quilombos.

Com a nova política de preservação, o instituto pretende ampliar o reconhecimento de outros territórios quilombolas em diferentes regiões do país, fortalecendo ações de proteção da memória, da cultura e da história dessas comunidades.