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Estudo do FMI aponta que Bolsa Família não reduz participação feminina no mercado de trabalho
Pesquisa destaca protagonismo das mulheres na gestão do benefício e indica que políticas de cuidado e igualdade salarial são essenciais para ampliar a inserção profissional
Um levantamento divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) reforçou que o Bolsa Família não provoca queda sistemática na participação das mulheres na força de trabalho. O estudo analisou dados sociais e econômicos e concluiu que a transferência de renda não desencoraja o ingresso feminino no mercado, contrariando críticas recorrentes ao programa.
A pesquisa utilizou informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, para avaliar os efeitos do benefício. Segundo dados recentes, das 18,84 milhões de famílias atendidas, mais de 15,9 milhões são chefiadas por mulheres, que concentram a responsabilidade pela administração dos recursos. O relatório também indica que ampliar a presença feminina no mercado pode impulsionar o crescimento econômico nacional, com estimativa de aumento médio anual de até 0,5 ponto percentual caso a desigualdade de participação entre homens e mulheres diminua até 2033.
Outro ponto central abordado é a chamada economia do cuidado. Estudos conduzidos em parceria entre o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e a Organização Internacional do Trabalho apontam que mulheres dedicam quase 10 horas semanais a mais que os homens a atividades domésticas e cuidados não remunerados — índice ainda maior entre mulheres negras. A sobrecarga doméstica aparece como um dos principais fatores para o afastamento do mercado, com metade das trabalhadoras deixando o emprego até dois anos após o nascimento do primeiro filho.
Estudos complementares do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostram que o aumento do valor mínimo do Bolsa Família desde 2023 não incentivou a migração de trabalhadores formais para a informalidade. Entre as mulheres que deixaram a força de trabalho, a principal razão declarada foi a necessidade de cuidar da família e das tarefas domésticas.
O relatório do FMI também alerta para a disparidade salarial, que ainda coloca os rendimentos femininos cerca de 22% abaixo dos masculinos em condições equivalentes. Entre as recomendações estão a ampliação do acesso a creches, políticas de cuidado a idosos, ajustes nas licenças parentais e a aplicação efetiva da legislação de igualdade salarial. Para os especialistas, ações integradas podem ampliar a participação feminina no mercado e fortalecer o crescimento econômico do país, ao mesmo tempo em que mantêm programas de transferência de renda como ferramentas centrais no combate à pobreza.
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